Hospital é interditado e funcionários não recebem
Maurício Borges
Desde março, quando o Hospital e Maternidade Central do Ivaí, de São João do Ivaí (75 km ao sul do Apucarana), foi lacrado por uma equipe da Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde, o médico José Dias Neto não consegue pagar a rescisão contratual dos seus 12 funcionários. O proprietário do hospital, que funcionava há 26 anos na cidade, admite que deve cerca de R$ 50 mil, mas tem a receber mais de R$ 140 mil do Sistema Único de Saúde (SUS), referentes a autorizações de internamento hospitalar (AIHs) que, segundo ele, estão sendo indevidamente retidas pela Secretaria de Saúde.
Procurados pela Folha, funcionários demitidos não quiseram se manifestar. O chefe da Vigilância Sanitária da 24ª Regional de Saúde de Ivaiporã Valdemar Garcia Leal disse que a vistoria apontou 86 irregularidades no Hospital e Maternidade Central do Ivaí.
José Dias Neto alega que vem sendo vítima de perseguição política. Um grupo local tem influenciado nesta campanha para acabar com o meu hospital, inclusive fazendo reduzir o número de cotas de AIHs, que chegou a ser de 150/mês e caiu para 15/mês, denuncia o médico.
Ele conta que já tentou reverter este quadro, apelando até para deputados e secretários, mas de nada adiantou. Tive diversas ações ganhas na Justiça, determinando que a Secretaria de Saúde normalizasse o repasse das AIHs, mas nem assim isso foi cumprido, afirmou José Dias Neto.
José Dias Neto disse que não pretende sanar as irregularidades. Enquanto não mudar o comando na Secretaria de Saúde, não há como reativar o hospital.





