Hospital é acusado de negar internação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de julho de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
O Hospital Ministro Costa Cavalcanti, de Foz do Iguaçu, está sendo acusado pela Secretaria Municipal de Saúde de ter negado vaga para o internamento de três bebês com broncopneumonia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A direção do hospital nega a acusação e alega que não havia vaga na ala destinada ao tratamento de crianças com essa doença.
Broncopneumonia é uma infecção pulmonar que ataca principalmente as crianças. Médicos ouvidos pela Folha informaram que a doença é grave e pode levar à morte. Ontem à tarde, após a denúncia ter sido divulgada, os três bebês - uma menina de dois meses de vida, um menino de 27 dias e outro de seis dias - foram internados no hospital. Segundo a direção, as vagas surgiram após a alta de pacientes.
Os casos de recusa de atendimento teriam ocorrido entre segunda-feira e ontem. Os bebês doentes foram levados inicialmente por suas famílias ao Pronto Atendimento Municipal (PAM), uma estrutura mantida pela prefeitura que faz a triagem de pacientes enviados pelos postos de saúde e, dependendo da necessidade, os encaminha aos hospitais.
Devido à gravidade do estado de saúde dos três, funcionários do PAM solicitaram ao Hospital Costa Cavalcanti vaga para a internação deles. O hospital informou que não havia leitos disponíveis. Como não havia vaga em nenhum dos hospitais que atendem pelo SUS, os bebês permaneceram até a tarde de ontem no PAM, que não tem estrutura para dar atendimento especializado.
Mas uma auditoria realizada anteontem no Costa Cavalcanti pela Comissão de Controle e Avaliação da Secretaria Municipal da Saúde constatou que o hospital possuía onze leitos vagos. A comissão é formada por três médicos da prefeitura. O Hospital Costa Cavalcanti é uma instituição particular e mantém convênio para atender pacientes do sistema público.
O diretor-superintendente do Costa Cavalcanti, Ricardo Foster, negou ontem que houvesse leitos disponíveis para atender os bebês com broncopneumonia e constestou a auditoria realizada pelos médicos da prefeitura. Segundo ele, o hospital reserva 42 vagas para pacientes do SUS e, quando foram feitas as solicitações para o atendimento dos bebês, havia 43 pessoas internadas pelo sistema.
Foster afirmou também que a pediatria do hospital possui duas alas, que somam dez vagas: cinco para crianças com broncopneumonia e cinco para vítimas de diarréia. Havia vagas no setor de diarréia, mas o de broncopneumonia estava lotado, disse.
Segundo a gerente de enfermagem do hospital, Hafiza Abdon, não é recomendado instalar em um mesmo local pacientes com doenças diferentes porque há a possibilidade de cruzamento de infecções, ou seja, os pacientes podem trocar doenças entre si.
Foster disse também que a auditoria dos médicos da prefeitura foi feita de forma clandestina, sem a autorização e o conhecimento prévio da direção do hospital. Ele acusou também o PAM de encaminhar pacientes aos hospitais da cidade com diagnósticos imprecisos e infiéis (com informações erradas), além de não possuir os equipamentos e medicamentos necessários para assegurar a vida deles durante o transporte.
A Folha não conseguiu localizar o secretário municipal da Saúde, Sadi Buzanello, ontem à tarde, para que ele respondesse às acusações feitas pelo diretor do hospital.


