O Sistema Único de Saúde descredenciou a ala de psiquiatria do Hospital Vera Cruz, em Santa Terezinha de Itaipu (22 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu). O hospital, que tem a única unidade psiquiátrica da região, é acusado de aplicação forçada de medicamentos e cárcere privado de pacientes em tratamento. O Centro de Direitos Humanos investiga vários casos ocorridos no hospital.
A clínica tem prazo até 28 de setembro para dar alta para os 48 pacientes internados ou removê-los para outras instituições. O diretor do hospital, Nelson Mendes, disse que está tentando anular a decisão do SUS.
O hospital também é acusado de maltratar pacientes e fraudar fichas de Autorização de Internação Hospitalar (AIH) do SUS para receber várias vezes pelo atendimento de um mesmo paciente. Relatório elaborado por uma comissão relaciona 10 irregularidades cometidas pelo estabelecimento. Uma delas é a de prescrição de medicamentos antecipadamente, sem que os profissionais tivessem avaliado os pacientes.
As denúncias contra o Vera Cruz foram feitas em setembro de 1995. Em janeiro daquele ano, a Folha publicou denúncia de Ilma Martins de Souza, mãe de Haroldo de Souza, de 22 anos. Segundo ela, o filho foi internado no hospital no dia 16 de janeiro de 95 depois de uma crise nervosa. A mãe disse que uma semana depois da internação foi chamada às pressas ao hospital porque o filho estava urinando sangue.
Ela encontrou o filho com as pernas amarradas na cama e constatou que o filho tinha sinais de espancamento, um corte na cabeça com quatro pontos e um corte no rosto com mais dois pontos. Uma funcionária do setor de limpeza informou que o filho havia sido espancado. O hospital justificou que o paciente havia tentado agredir uma enfermeira e caiu da cama.
A corda amarrava as pernas do rapaz prendeu a circulação. Em consequência, Haroldo teve parte da perna esquerda amputada, pouco abaixo do joelho. Além desse caso, está sendo investigada a morte de outro paciente do hospital. Aristeu Cordeiro da Silva morreu dois dias depois de ter sido internado, por falta de médico para atendê-lo, segundo denúncia do Centro de Direitos Humanos.

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