Cambé - A direção do Hospital Santa Casa de Cambé (13 km a Oeste de Londrina) descartou totalmente a possibilidade de que um erro médico possa ter provocado a morte da menina Camila Sabbadine, 8 anos, no início da semana, logo após ter recebido alta pelos profissionais da unidade. Em uma entrevista concedida ontem a pedido do diretor técnico do hospital, José Walter Dias, o pediatra detalhou todos os procedimentos tomados com a menina, usando as informações para justificar a afirmação. O médico atribuiu a morte à ''causas desconhecidas''.
Camila deu entrada no hospital na segunda-feira, para tratamento de dores lombares. Segundo Walter Dias, ela foi medicada, examinada pela equipe do hospital e liberada cerca de 18 horas depois. Momentos antes de ir embora, Camila passou mal. ''Ela apresentava sinais de asfixia e parada cardio-respiratória. Este quadro a levou à morte'', contou o médico.
Walter Dias disse ainda que, durante todo o período de internamento, Camila recebeu duas injeções de Voltaren, um poderoso antiinflamatório. ''A primeira foi aplicada ainda na segunda-feira e ela não apresentou nenhuma reação. A segunda aplicação foi feita na terça, duas horas antes da alta'', descreveu.
''Quando a crise que levou Camila à morte foi identificada, a menina foi atendida por uma equipe de cinco médicos. Infelizmente, a medicina só consegue reverter 5% dos quadros de parada cardíaca em crianças, e a maior parte delas fica com lesões. Fizemos todo o possível e considero que o atendimento prestado no primeiro dia de internamento tenha sido até exagerado. Por isso acreditamos que ela tenha sido vítima de morte súbita'', afirmou.
De acordo com o diretor, a pediatra que prestou o último atendimento à Camila antes da morte está ''arrasada''. ''Ela não veio trabalhar, tem um filho pequeno. Claro que ela tem noção do que é esta perda para a família da criança'', afirmou, destacando também que os laudos iniciais concluídos pelo Instituto Médico Legal (IML) de Londrina teriam descartado a possibilidade de choque anafilático provocado por medicação. A hipótese, no entanto, não foi descartada pela tia de Camila, a enfermeira Sueli Sabbadine. ''Depois da segunda aplicação, ela começou a suar muito. E pudemos perceber que o corpo dela estava com manchas parecidas com alergia'', disse.
As dúvidas levaram o delegado da Polícia Civil de Cambé, Valdir Abrahão, a abrir inquérito para investigar a morte de Camila. ''Recebemos a informação de que a menina teria sofrido uma queda no hospital, e isto não foi incluído no relatório médico. Por isso, pedimos exames mais detalhados em Curitiba'', disse. O laudo, segundo Abrahão, deve ser concluído em 30 dias. ''Em princípio, o dolo (intenção de matar) está totalmente descartado. Mas o médico ou a equipe podem responder por homicídio culposo'', explicou o delegado.
Na casa onde Camila morava estava somente a tia, Sueli, e o noivo dela, João Antônio Dunko. ''Meu irmão e minha cunhada estão com meu pai, extremamente abalados. O quarto da Camila está trancado e eles nem voltaram para casa depois do que aconteceu'', contou Sueli. ''Ela iria dançar amanhã (hoje) com as colegas de escola; nem sei se ainda vai ter apresentação. Temos que fazer alguma coisa, porque a Camila não volta, mas não podemos permitir que isso aconteça com outra criança'', afirmou Dunko.

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