O Hospital São José, em Paiçandu (10 quilômetros a oeste de Maringá), que atende 40 municípios da região Noroeste, pode fechar as portas a partir do próximo ano. ‘‘O corte de repasse das AIHs (Autorização de Internamento Hospitalar) de Maringá tornou o hospital inviável’’, diz o médico Francisco Vieira Filho, diretor do hospital. Ele explica que desde que iniciou as atividades do São José, que tem o prédio cedido pela prefeitura, passou a absorver pacientes de toda a região.
Na média, calcula Vieira, são realizados 500 atendimentos ao mês, mas o Sistema Único de Saúde (SUS) só repassa o pagamento referente a aproximadamente 390 procedimentos. ‘‘Trabalhando com volume dá para manter, mas depois que Maringá cortou as AIHs não tenho mais condições’’, reclama. Ele explica que na média atende 150 pacientes de Maringá por mês e recebia cerca de 70 autorizações. Agora a Secretaria de Saúde de Maringá cortou o repasse das AIHs. ‘‘Mas os pacientes continuam a nos procurar’’, diz.
Sem condições ‘‘morais’’ para recusar o atendimento, desde julho Vieira vem atendendo pacientes de Maringá sem receber. Ele garante que já procurou três vezes o secretário de Saúde do Paraná, Armando Ragio, e o governo ficou de rever a situação. ‘‘Não me deram resposta até agora e se não tiver uma posição com urgência fecho as portas e deixo só as paredes’’, ameaça. Vieira arrendou e reformou o prédio do hospital da prefeitura, mas colocou em torno de R$ 600 mil em equipamentos.
Um ofício do secretário de Saúde de Maringá, Sandro Scolari, avisou o hospital de Paiçandu que as AIHs não seriam mais repassadas porque o município acertou um convênio com a Santa Casa local. ‘‘O problema é que os pacientes continuam vindo para cá e eu não posso recusar atendimento’’, lembra Vieira.
O secretário Sandro Scolari estava ontem em Curitiba e não foi localizado pela Folha. Anteontem ele não atendeu convocação da Câmara para explicar por que os hospitais de Maringá não vêm recebendo repasse de serviços realizados pelo SUS. O sindicato dos hospitais alega que apenas oito estabelecimentos tem mais de R$ 1 milhão a receber do sistema, que é gerenciado pelo município.

mockup