Curitiba - A crise no atendimento público de saúde no Litoral chegou ao ponto crítico na noite da última terça-feira. O Hospital Nossa Senhora dos Navegantes de Matinhos fechou as portas por ordem do secretário municipal de Saúde, Jeferson de Azevedo. Ontem, Azevedo informou à FOLHA que o hospital está com as portas abertas, mas não há médicos. "Todas as emergências estão sendo transferidas para o Hospital Regional, em Paranaguá", informou.
Desde a noite de terça, ambulâncias e veículos da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) e da Prefeitura de Matinhos estão fazendo o transporte dos pacientes internados para Paranaguá. Casos de emergência também estão sendo atendidos no hospital em Paranaguá. Já as situações de urgência, em que o estado do paciente é grave, mas não demanda hospitalização, estão sendo encaminhadas para as unidades de pronto-atendimento de Paranaguá.
"Estamos tomando todas as medidas necessárias para minimizar o sofrimento da população", declarou o diretor da 1ª Regional de Saúde da Sesa, Paulo Zanicotti. Segundo a secretaria, a possibilidade de intervenção no município ainda não foi cogitada. A administração do atendimento público de saúde em Matinhos é de responsabilidade da prefeitura, que alega estar sem recursos para resolver o problema de falta de profissionais. "Vamos pedir à Câmara uma suplementação orçamentar", informou Azevedo.
Segundo o secretário, a proposta de suplementação teria sido preparada ontem. Azevedo, no entanto, não soube dizer a origem dos recursos. Questionado sobre a informação de que a carga horária dos profissionais da saúde no município tinha sido reduzida de oito para seis horas, conforme noticiado pela FOLHA na última terça-feira, o secretário negou que isso tenha ocorrido e interrompeu a entrevista. A informação foi confirmada pela reportagem junto a inúmeros funcionários dos postos de saúde da cidade.
Na semana passada uma equipe da Sesa esteve em Matinhos para fazer um levantamento da situação. Os problemas no atendimento público de saúde na cidade e em Guaratuba preocupam os técnicos da secretaria especialmente por conta da proximidade do fim do ano, quando a população residente no Litoral cresce.
Guaratuba também já recebeu a visita de uma comissão de fiscalização do Conselho Regional de Medicina (CRM). "Notamos que lá ainda há condições de atendimento e que há médicos trabalhando, mesmo sem receber salário", informou o presidente do Conselho, Miguel Ibraim Abboud Sobrinho. Segundo Sobrinho, a instituição está acompanhanho os problemas da região. "O médico é um profissional que, como qualquer outro, precisa de condições para atuar", defendeu.

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