Hospital de Marilândia é interditado
Maurício Borges
Enviado a Marilândia do Sul
Depois de seis horas de vistorias e avaliações sobre denúncias de irregularidades, uma equipe da Divisão de Vigilância Sanitária da 16ª Regional de Saúde (Apucarana), decidiu interditar ontem, às 16 horas, o Hospital Municipal de Marilândia do Sul (28 km ao sul de Apucarana). O hospital não tinha condições higiênico-sanitárias adequadas e um falso médico clinicava no local há oito meses.
O hospital não tem enfermeira padrão e farmacêutico responsável, e o centro cirúrgico está sem condições de uso. Há cerca de 20 dias funcionários da 16ª RS apreenderam um lote de diversos tipos de medicamentos com prazo de validade vencido que, segundo auxiliares de enfermagem, estavam sendo utilizados normalmente pelos médicos.
O pedido de vistoria e fechamento do hospital partiu da promotora Suzana Feitosa de Lacerda que, de posse de um mandado de busca e apreensão, percorreu as instalações. Não era necessário ser técnico da área médica para concluir que neste local não poderia funcionar um hospital, avaliou a promotora.
Antes de ser concluído o laudo, o médico Hakaru Otta, chefe da Divisão de Assistência de Saúde da 16ª RS, esteve no prédio para inspecionar a documentação do hospital e verificar prontuários médicos dos pacientes atendidos nos últimos meses. O que levou ao fechamento do hospital foi a denúncia de que Nélson Menoger não era médico e estaria exercendo a profissão utilizando o número do CRM de outro médico. A veracidade da denúncia foi confirmada pela promotora Suzana Feitosa de Lacerda. Tratava-se de um auxiliar de enfermagem, procedente de Maringá, que utilizava o nome e CRM do pediatra Nelson de Freitas Reis, revelou ela.
Outra irregularidade é a falsificação de cartões e receituário pelo médico José Jorge Bosco, utilizando o nome e o número do CRM do médico Sigfried Willi Schweigert, do Rio Grande do Sul. O delegado Odair Cordeiro já solicitou informações ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul.
Tanto a polícia como o Ministério Público têm conhecimento que Bosco era acusado de diversas fraudes contra o Sistema Único de Saúde (SUS) e que foi banido pelo sistema. A 16ª RS confirmou que as cotas de Autorizações para Internamento Hospitalar (AIHs) continuam sendo repassadas pelo SUS à Prefeitura de Marilândia do Sul.





