Hospital de Foz fica 2 dias interditado
Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
A atual administração do Hospital e Maternidade São Thiago, um dos mais tradicionais de Foz do Iguaçu, deve mover uma ação de perdas e danos contra o médico Carlos Delgado, antigo sócio-gerente do hospital. Na segunda-feira, o hospital teve prédios e equipamentos lacrados pela Justiça e permaneceu fechado até o final da tarde de ontem.
O motivo do fechamento foi uma dívida de R$ 3 mil, contraída e não quitada pela administração anterior. O valor é referente a honorários cobrados judicialmente pela Lexius Contabilidade, empresa que assessorou a Maternidade Iguaçu, antigo nome da unidade de saúde.
Decidimos assumir uma dívida que não era nossa para não deixar de atender pacientes, disse Paulo César Chamorro, filho do médico Levy Sylvio Batista Brum, que desde fevereiro é arrendatário do hospital.
A autorização para a reabertura foi dada ontem pelo juiz da 2ª Vara Cível, Péricles Belucci de Batista Figueredo, que na segunda-feira determinou o fechamento, depois de receber uma ação de cobrança e falência do escritório de contabilidade.
Já iremos arcar com o prejuízo moral da empresa e por isso quero ressarcimento por todos os prejuízos materiais que tivemos nestes dois dias, promete Chamorro, o atual administrador. Ele não soube precisar qual foi o total do prejuízo decorrente do fechamento.
O Hospital São Thiago tem 30 leitos e realiza, em média, 80 consultas e cinco cirurgias diariamente. A partir de outubro passará a atender também pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A Justiça deu sorte. Tínhamos apenas uma criança internada quando fomos impedidos de trabalhar, disse Chamorro. O administrador contou que vários pais e familiares de pacientes que necessitavam de atendimento de emergência reclamaram. É um prejuízo de imagem incalculável, considerou. Foram desmarcados três partos e duas cesarianas, além de dezenas de atendimentos.
O hospital também arcou com quase 100 refeições em restaurante, já que a cozinha lacrada não pôde ser usada para atender os 31 funcionários. Acho que a Justiça não pensou em nossa função social. Ela deveria ter me comunicado oficialmente antes de lacrar o prédio. Teria pago esta dívida antes e nenhum destes transtornos teria acontecido, argumenta Chamorro.





