O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) pretende instalar, em novembro, uma Central de Misturas Intravenosas. A produção deste medicamento pelo hospital significará uma economia de 25% nos gastos com intravenosos. A central terá capacidade inicial de produzir 240 mil doses de medicamentos parenterais (ou intravenosos), mas a intenção é aumentar a produção gradualmente, de forma que a central cubra toda a demanda do hospital até o fim de 2001, ou seja, 400 mil doses anuais.
Atualmente o HC gasta R$ 6 milhões em medicamentos por ano, sendo 50% para a compra de intravenosos. Só os antibióticos, ministrados majoritariamente por via parental, correspondem a 25% desse valor. ‘‘Isso significa que só com antibióticos teremos uma economia de quase R$ 150 mil por mês’’, diz o chefe do serviço de Farmácia do HC, João Carlos Seratiuk. Segundo ele, inicialmente a unidade produzirá prioritariamente antibióticos, produtos oncológicos e substâncias nutritivas parenterais, que além de serem mais caros, correspondem a cerca de 45% dos intravenosos usados no hospital.
Para preparar os profissionais que trabalharão no setor e estabelecer normas de funcionamento que resultem em menor custo e economia, há quatro meses o serviço de farmácia do HC vem realizando seminários e palestras com profissionais da área. De acordo com o professor Victor Jiménez Torres, da Universidade de Valência, na Espanha, que ministrou palestra ontem aos profissionais, uma das principais vantagens na instalação da unidade centralizada de misturas intravenosas é a possibilidade de se fazer remédios personalisados. ‘‘Há a possibilidade individualizar a posologia’’, afirmou. Com isso, há também economia, já que evita-se o disperdício com doses superiores ao necessário.
Segundo Seratiuk, a Central do HC vai fazer um serviço inédito no País. ‘‘Será um ambiente único, totalmente controlado, diminuindo qualquer possibilidade de incidência de impurezas que contaminem os medicamentos’’, diz Seratiuk. Para a construção da unidade estão sendo investidos R$ 279 mil, incuindo a reforma física, aa aquisição de uma Câmara de Fluxo Laminar classe 100, para quimioterapia, o sistema de condicionamento de ar e material de apoio.