Especial para a Folha
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, conta com 40 vagas na Unidade de Tratamento Intensivo e atende anualmente cerca de 900 mil pacientes, dos quais 92% são paranaenses. Mantido quase na totalidade por recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por mais de 95% da verba recebida, o HC tem um déficit orçamentário que oscila entre R$ 200 e R$ 300 mil e há receio de mais cortes de verbas.
Segundo o diretor geral do HC, Mitsuru Miyaki, a insuficiência de verbas é a causa de tantos contrastes no atendimento do hospital. Enquanto alguns serviços são referência nacional e até internacional - como o transplante de medula óssea -, outros setores pecam pela falta de equipamentos básicos, como o Pronto Atendimento. ‘‘A administração não consegue promover a arrecadação de recursos de maneira global, e algumas áreas foram beneficiadas pelo apoio da comunidade e pela Associação dos Amigos do HC, que promove campanhas de arrecadação’’, explica Miyaki. Ele lembra que em administrações anteriores o déficit chegou a R$ 500 mil.
A crise econômica aumenta a preocupação dos profissionais que trabalham no HC, que temem novos cortes de verbas. Segundo o professor Henrique Stahlke Júnior, responsável pelo serviço de Cirurgia Vascular Periférica, ‘‘o futuro dos hospitais públicos e universitários é uma incógnita, e existe temor do Ministério da Saúde de que novos cortes de verbas possam ocorrer’’. Na opinião de Stahlke, as reformas nos setores de Cirurgia Vascular Periférica e Cirurgia Torácica e Cardiovascular não seriam possíveis sem o apoio da iniciativa privada.

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