Hospital de Campanha atende centenas
Navegantes - Num local que era originalmente um grande estacionamento de caminhões, uma grande estrutura da Força Aérea Brasileira (FAB) chama a atenção. É o Hospital de Campanha da FAB (HCamp), uma seqüência de barracas verdes equipadas com geradores de energia e equipamentos médicos destinada a atender pacientes no meio da região mais atingida pela calamidade em Santa Catarina.
"O Hospital é destinado a servir como uma reserva técnica de vagas para a rede de saúde catarinense", explica o Coronel Médico Luiz Sérgio Verbicard. É que com os deslizamentos e as enchentes, a qualidade da água na região ficou comprometida, o que pode causar um surto de doenças como a hepatite e a leptospirose, que é transmitida pelo contato com água, alimentos e solo contaminados com urina de animais infectados.
"Temos capacidade para atender até 400 pessoas por dia", explica Verbicard. Se os postos de saúde e hospitais públicos lotarem, o HCamp ajuda a atender a demanda. "Estamos trabalhando coordenadamente com a Secretaria Estadual de Saúde para que essas vagas sejam bem aproveitadas", diz.
Até a última quinta-feira, foram 542 atendimentos. A tendência é que esse número aumente caso a previsão de epidemias se confirme. "Por enquanto não temos data para deixar o estado", adianta. A grande preocupação da Defesa Civil de SC é que, além da contaminação da água, a grande quantidade de animais que morreram durante a tragédia contribuam para o surgimento de doenças.
O Hospital de Campanha está instalado no entroncamento das rodovias BR-101 e SC-470. "Os próprios médicos, enfermeiros, técnicos da Aeronáutica montaram toda a estrutura e realizam os atendimentos no local nas áreas de clínica médica, ortopedia, pediatria, ginecologia e odontologia", conta Verbicard.
A estrutura que está em SC é a mesma que atuou no combate a epidemia de dengue que atingiu o Rio de Janeiro (RJ) no início do ano. "Estivemos no Recife durante a greve dos médicos", conta o coronel. Outra missão do HCamp foi como base de apoio na selva amazônica durante as operações de busca das vítimas do desastre com o vôo 1907 da Gol, em 2006.
Todo o HCamp é móvel e pode ser transportado por aeronaves até o local de implantação. Cerca de 80 militares participam do esforço no HCamp em SC desde o último dia 1º de dezembro. Segundo a FAB, os principais casos atendidos até o momento são de pessoas com ferimentos nos braços e pernas (muitos se machucam no esforço de limpar casas e ruas), com dores musculares e com suspeita de leptospirose. (R.C.F.)





