Hospital da Zona Sul terá mutirão de cirurgias ginecológicas
Expectativa é zerar a fila até agosto de 2020, somando 600 cirurgias nesta especialidade
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de agosto de 2019
Expectativa é zerar a fila até agosto de 2020, somando 600 cirurgias nesta especialidade
Micaela Orikasa - Grupo Folha 

Silvana Alves Ferreira, 44, chegou cedo ao HZS (Hospital da Zona Sul) de Londrina na segunda-feira (5), em busca de todos os detalhes da histerectomia (cirurgia para retirada do útero), agendada para o dia 12 de agosto. Ela é de Tamarana (Região Metropolitana de Londrina) e aguarda pelo procedimento há quatro meses. “Vai ser um alívio porque estou com uma hemorragia que não para nem com remédio”, diz. A dona de casa está no primeiro grupo de mulheres que serão beneficiadas com o mutirão de cirurgias ginecológicas no HZS, no Parque Ouro Branco.
A ação é uma parceria entre o governo do Estado e a prefeitura municipal e prevê até agosto de 2020 a realização de 600 cirurgias de média complexidade nesta especialidade. O anúncio oficial foi feito na manhã de segunda (5) nas dependências do hospital. “Existia um passivo de cirurgia muito grande e esse é mais um dos mutirões que estamos lançando para zerar as filas”, declarou o prefeito Marcelo Belinati. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, a fila hoje é composta por 415 mulheres à espera por cirurgia ginecológica. Para atender essa demanda estão sendo investidos R$ 600 mil em recursos livres da prefeitura e o HZS está disponibilizando quatro centros cirúrgicos.
A notícia também trouxe alívio para Ingrid Dayane de Oliveira, 27. Ela está na fila há dois anos para fazer uma laqueadura (ligadura de trompas). “Fiquei animada quando me ligaram confirmando a cirurgia para o dia 9 de agosto. Era algo que eu queria muito, mas tinha que aguardar porque tinha uma fila e também porque passei por cirurgia bariátrica e precisava respeitar um intervalo”, comenta.
Segundo o diretor do HZS, Geraldo Junior Guilherme, o tempo de espera para cirurgia ginecológica no município gira em torno de seis meses. “Mas sabemos que até a mulher fazer a consulta na UBS (Unidade Básica de Saúde) e os exames pré-cirúrgicos com especialista, leva mais uns seis meses. Então, podemos dizer que o tempo entre ela marcar uma consulta até a cirurgia acontecer é de aproximadamente um ano”.
ENCAMINHAMENTO
O mutirão vai atender mulheres com indicação cirúrgica para casos de mioma, laqueadura, remoção do útero, reparo do períneo, entre outros. De acordo com a direção do hospital, o tempo de internação nestes procedimentos é entre dois e três dias. “Tem uma rotatividade boa e por isso é possível operacionalizar essa quantidade que estamos propondo”, diz.
As mulheres que serão atendidas no mutirão passaram por uma consulta com um ginecologista em uma UBS e também foram atendidas por um especialista no Cismepar (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema). “Toda cirurgia de média complexidade é encaminhada para nós. As de alta complexidade vão para hospitais terciários”, afirma.
INCREMENTO
O Hospital Dr. Eulalino Ignácio de Andrade, que é mais conhecido como Hospital da Zona Sul, atende a população há 29 anos e é mantido pela Secretaria de Estado da Saúde. Atualmente a unidade conta com 117 leitos, sendo 70 de clínica médica (com 100% de taxa de ocupação), 20 leitos de pediatria e 27 cirúrgicos.
Por mês, são realizados três mil atendimentos no pronto-socorro e o número de cirurgias chega a 2.400 ao ano, sendo cerca de 960 em ginecologia. “Com este e outros mutirões, a ideia é que façamos 3.800 cirurgias por ano. Já temos pactuado com o município, 200 cirurgias mensais em diversas especialidades e agora, vamos ter mais 120 cirurgias", detalha Guilherme.
PRÓXIMOS MUTIRÕES
Durante o anúncio oficial do mutirão ginecológico, o prefeito citou que outras ações estão previstas até o final deste ano. São os mutirões de otorrino, ortopedia para cirurgias de média e alta complexidades, como prótese de quadril e joelho; e de cirurgia geral, para casos de hérnias. "Estamos buscando uma solução e reorganizando o sistema para que depois que a fila (de espera) estiver resolvida a gente possa dar atendimento adequado à demanda de cirurgias em nossa cidade”, destacou.
Ele ainda citou o mutirão realizado este ano na área de oftalmologia, em parceria com o Hoftalon (Hospital de Olhos de Londrina). Mais de cinco mil pessoas passaram por cirurgia de catarata e a expectativa é realizar mais dois mil procedimentos até o mês de dezembro.
O secretário de Saúde lembrou também que a prefeitura entregou 1.200 aparelhos auditivos em parceria com o Iles (Instituto Londrinense de Educação de Surdos) e dois mil acessórios entre órteses, próteses, muletas e cadeiras de banho.
“Desde 2017 fizemos um amplo diagnóstico e demos início aos mutirões no sentido de minimizar o impacto que esse tempo na fila gera para as pessoas. Hoje, estamos iniciando a cirurgia ginecológica e em breve devemos ter outros mutirões", afirma. Ainda de acordo com o secretário, a maior demanda no município, em números, seria nas áreas de oftalmologia, seguida de ortopedia e ginecologia.


