APUCARANA - O maior e melhor aparelhado hospital da região do Vale do Ivaí pediu descredenciamento do Sistema Único de Saúde (SUS). O Hospital da Providência, de Apucarana (60 km a sudoeste de Londrina) a partir do dia 20 deixa de prestar atendimento ambulatorial.
Também foi solicitado o descredenciamento de 10 leitos pediátricos e 10 de clínica geral. O hospital é filantrópico, foi constituído em 1970, e é administrado pela Província Brasileira da Congregação das Irmãs Filhas de Caridade de São Vicente de Paulo.
A diretora-geral do hospital, irmã Izília Folador, afirma que a relação com o SUS chegou ao limite do suportável. ‘‘O hospital estava praticamente pagando do próprio bolso para manter o atendimento pelo SUS’’, justificou. Ela acrescenta que, nos últimos meses, o Providência estava encontrando dificuldades para manter em dia as despesas com água, luz, oxigênio e pessoal.
O pedido de descredenciamento foi oficializado ao chefe da 16ª Regional de Saúde, médico Adalberto Rocha Lobo. Segundo a direção do hospital, a decisão é definitiva. Com o descredenciamento dos serviços ambulatoriais, cerca de duas mil pessoas de Apucarana e municípios vizinhos deixarão de ser atendidas por mês a partir da segunda quinzena de dezembro.
Segundo a diretora administrativa, Nilza Momente, o descredenciamento não atinge os atendimentos do Pronto-socorro 24 horas, incluindo os casos de acidentados, dores súbitas e agudas. De acordo com o hospital, o SUS atrasa constantemente os repasses e acumula uma dívida de R$ 220 mil deste setembro.
Auditoria O Promotoria de Defesa do Consumidor instaurou ontem procedimento administrativo requerendo da 16ª Regional de Saúde uma auditoria nas contas do Hospital da Providência. O promotor Luiz Fernando Ferreira Delázari, argumenta que, diante da decisão de descredenciamento, é preciso apurar o volume de dinheiro público aplicado no hospital.
Delázari afirma que em grande parte de sua existência o hospital sobreviveu de verbas da saúde pública e agora anuncia que não vai mais realizar atendimento ambulatorial. ‘‘É preciso averiguar se isto é legal, sem haver um ressarcimento’’, frisou.
O diretor da 16ª RS, Adalberto Rocha Lobo critica a decisão. Para ele, o Hospital da Providência, considerado filantrópico, não têm o direito de tomar tal decisão de forma isolada desconsiderando sua função social. Lobo anunciou que a questão será agora discutida pelo Conselho Municipal de Saúde.

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