Referência internacional, o Serviço de Transplantes de Órgãos do HAC (Hospital Angelina Caron), em Campina Grande do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), acaba de ser credenciado pelo Ministério da Saúde para realizar transplantes em pacientes pediátricos. A instituição filantrópica se une ao Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, e à Santa Casa de Porto Alegre como um dos hospitais aptos a operar o procedimento de transplante infantil na Região Sul.

“Estamos habilitados em todas as modalidades de transplantes, em especial fígado e rim, desde crianças de quatro meses até adolescentes de 16 anos. Os pacientes com esse perfil já podem entrar na fila e aguardar a compatibilidade, enquanto fazem a preparação clínica necessária conosco no hospital”, explica o médico João Nicoluzzi, responsável pelo Serviço de Transplantes.

Segundo Nicoluzzi, os transplantes pediátricos são uma carência nacional, agravada pela complexidade do procedimento conforme a idade do paciente. “Quanto mais velho, mais parecido o organismo é com o dos adultos. Os pacientes muito pequenos precisam atingir o limite de dez quilos para o transplante. Os casos mais comuns são intrafamiliares, quando pais doam um rim ou parte do fígado para seus filhos. Doadores adultos de fígado também podem salvar duas vidas infantis, em geral”, detalha o cirurgião, informando serem poucos os casos de doação de órgãos de criança para criança.

PULMÃO

Outro credenciamento importante do hospital, obtido já há dois anos, é o de transplante de pulmão: desde então, foram vários os processos para que o hospital e toda a equipe estivessem aptos a realizar o procedimento, além da preparação dos pacientes para a cirurgia, que será a primeira do tipo no Paraná.

“Temos dez pacientes aguardando o órgão compatível. O processo é complexo e tem algumas particularidades fundamentais para a recuperação pós-cirúrgica. Não é necessária somente a compatibilidade sanguínea: os pulmões doados não podem ter sinais de infecção ou indícios de lesões por trauma. Além disso, devem ser compatíveis em tamanho com o receptor. São detalhes fundamentais que apontam para a importância da conscientização em prol da doação de órgãos no Brasil”, pontua o médico Frederico Barth, responsável técnico do Serviço de Transplante Pulmonar do HAC.

EXPERIÊNCIA

O Serviço de Transplantes do Hospital Angelina Caron foi fundado no ano 2000 pelos médicos João Nicoluzzi, Mauro Monteiro e Carlos Marmanillo. Em 2001 foi realizado o primeiro transplante de pâncreas do Paraná, um dos procedimentos mais complexos na área.

Em 2011, essa conquista foi seguida por outra: a primeira realização bem-sucedida, em todo o continente americano, de um transplante de fígado adulto com dois doadores vivos. O HAC é hoje um dos principais centros do país, com experiência no transplante renal, pancreático e hepático, com uma média de 300 transplantes a cada ano.

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