Dorico da SilvaPaciente de LerrovilleA dona-de-casa Cleuza Barbosa levou a filha Bruna para a médica em Tamarana: ‘Londrina é longe’O prefeito de Tamarana, Edson Siena (PDT), ameaça não mais atender pacientes londrinenses caso a Prefeitura de Londrina não ajude a manter o hospital municipal São Francisco. Siena lembra que no mês de abril, 40% dos pacientes atendidos eram londrinenses.
Ele reclama que o Governo Federal, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), repassa apenas o número de Autorização para Internação Hospitalar (AIH) proporcional aos 8.777 habitantes de Tamarana, município emnacipado de Londrina em janeiro deste ano. ‘‘Eu não recebo nada para tratar os pacientes de Londrina’’, diz Siena. Ele comenta que o Hospital São Francisco recebe muitos doentes dos distritos de Lerroville, Guaravera e da reserva indígena do Apucaraninha, todos pertencentes a Londrina.
Ele está reivindicando junto ao prefeito Antonio Belinati (PDT) e ao superintendente da Autarquia Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, que assumam o pagamento de dois médicos do Hospital São Francisco.
O secretário de Saúde de Tamarana, Francisco Viana - que acumula também o cargo de médico e diretor clínico do hospital São Francisco -, acredita que os moradores das localidades próximas à Tamarana continuam com o ‘‘hábito’’ de procurar o hospital municipal, mesmo depois de ter se desligado de Londrina. ‘‘Principalmente os moradores de Guaravera e Lerroville continuam procurando a nossa assistência à saúde, porque é mais perto vir à Tamarana do que seguir até Londrina.’’
Viana lembra também que no hospital São Francisco não há filas e os pacientes são ‘‘bem atendidos’’ a qualquer hora do dia ou da noite: ‘‘A partir das 19 horas, os postos de saúde de Lerroville e Guaravera fecham e todo mundo vem para cᒒ. O secretário de Saúde ressalta que além das consultas e medicamentos, a Prefeitura também acaba bancando os exames clínicos de todos os doentes atendidos no hospital. Só no mês passado, segundo ele, foram gastos quase R$ 4 mil com exames feitos em uma clínica particular da cidade.
Dorico da SilvaDemanda externaSecretário de Saúde de Tamarana, Francisco Viana: ‘Postos de saúde fecham e as pessoas vêm para cá’
A diretora administrativa do Hospital São Francisco, Dalva Aparecida Siena (filha do prefeito), conta que o município recebe do SUS R$ 2,04 por guia de consulta. Se o paciente receber algum medicamento, o repasse sobe para R$ 2,53. ‘‘São apenas R$ 0,49 para cobrir todo o gasto com remédio’’, reclama. Ela explica que a entidade já corre o risco de sofrer com a superlotação. O hospital tem 20 leitos. Ontem, 17 pessoas estavam internadas no São Francisco.
A dona-de-casa Cleuza Maria Barbosa, 38 anos, mora no distrito de Lerroville e estava ontem em Tamarana, acompanhando a filha Bruna, de dois anos e meio, internada com pneumonia no Hospital São Francisco. ‘‘Não tenho condições de levá-la para Londrina porque é muito longe.’’
Claudinéia Pereira da Silva, 24 anos, também é de Lerroville e estava com uma filha, Taís, de dois anos e meio, internada com bronquite. ‘‘Eu sempre venho aqui. O atendimento é bom e mais perto de casa’’, afirma. Ivone Marcolino, 21 anos, moradora da reserva indígena do Apucaraninha, acompanhava o filho Sandro, de um ano e oito meses, com pneumonia, na ala pediátrica: ‘‘Todo mundo da reserva vem aqui.’’
Edson Siena anuncia que o Hospital São Francisco terá a capacidade de leitos dobrada com ajuda do Rotary Club de Tamarana. Ele diz que a Prefeitura vai produzir um adesivo, que deverá ser vendido pelos rotarianos e o dinheiro arrecadado vai ser usado na reforma do hospital. A ampliação vai custar R$ 60 mil e uma parte vem do governo federal, a fundo perdido.

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