Lucilia Okamura
De Londrina
A internação ou tratamento domiciliar é uma prática que vem sendo difundida cada vez mais nas redes pública e privada de saúde. Além de contribuir para a rápida recuperação do paciente (que se sente melhor no ambiente familiar), o sistema está sendo visto como uma alternativa para reduzir custos hospitalares e minimizar o eterno problema da falta de leitos.
Este foi um dos motivos que levou a Irmandade Santa Casa de Londrina a oferecer o Saúde em Casa - serviço de atendimento e internação domiciliar. Apesar de ser lançado oficialmente no dia 14, o serviço já está funcionando experimentalmente há três meses.
O Saúde em Casa conta com uma equipe multidisciplinar que faz o atendimento na residência do paciente. Todo o trabalho é feito sob a orientação do médico titular do paciente. ‘‘O grande diferencial em relação a outros serviços é que todo o complexo da Irmandade da Santa Casa dá retaguarda’’, ressalta o superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad.
Ele informou que o serviço é oferecido a pacientes particulares e a conveniados. ‘‘Mesmo para os pacientes particulares, o custo é inferior a de uma internação’’, observa. Ele cita entre outros motivos para acelerar a recuperação do paciente o atendimento personalizado e a humanização dos procedimentos.
Michel Cury Sahião, 69 anos, foi o primeiro paciente a aderir ao serviço. ‘‘Não gosto de hospitais, o clima é muito desgastante. Acho muito bom ser atendido em casa’’, resume. Segundo ele, a convivência com os amigos que o visitam e poder ficar à vontade em casa contribui para a sua recuperação. Ele sofre de lúpus (doença de pele) há 20 anos.
Os outros dois hospitais terciários de Londrina, Evangélico e Universitário, estão realizando estudos para desenvolver também projetos de assistência domiciliar.
Na rede municipal de saúde, o chamado Sistema de Internação Domiciliar (SID) foi implantado em setembro de 96 e até agora atendeu cerca de 1.500 pacientes, segundo o secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian. ‘‘Costumo dizer que o SID é um hospital invisível’’, afirma.
O serviço oferecido pelo SID é totalmente gratuito. Além de levar toda a estrutura para a casa do paciente (equipamentos e tubos de oxigênio, entre outros), o sistema fornece ainda medicamentos sem custo. O custo mensal para manter o sistema é de cerca de R$ 80 mil.
Der Bedrossian ressalta que tão importante quanto a equipe multidisciplinar é a figura do cuidador - alguém da família que é escolhido para atuar como elo principal entre o doente e o pessoal do SID.Santa Casa lança serviço que leva médicos, enfermeiros e equipamentos até o paciente, tratando-o na residência, junto com a família
César AugustoPIONEIROEm casa, Michel Sahião é atendido por uma auxiliar de enfermagem: ‘‘Não gosto de hospitais. É desgastante’’

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