Silvana Leão
De Londrina
O Hospital Universitário (HU) e a Santa Casa, ambos hospitais de nível terciário que prestam atendimento de pronto-socorro ao Sistema Único de Saúde (SUS) em Londrina, viveram ontem mais um dia de superlotação. Embora o dia tenha transcorrido sem sobressaltos e sem nenhum fato grave como o ocorrido na última terça-feira, quando um homem que aguardava transferência acabou morrendo no Hospital da Zona Norte (HZN), as instituições trabalharam com vários pacientes a mais que a sua capacidade.
Só no HU, o limite de 36 leitos destinados à observação no pronto-socorro foi extrapolado em 29 pacientes ontem à tarde. Os corredores ficaram cheios de pessoas internadas em macas e cadeiras. Além disso, todas as unidades de internação estavam lotadas.
No Pronto Socorro (PS) da Santa Casa havia ontem, pela manhã, 23 pacientes excedentes e à tarde este número foi reduzido a 16. Na Maternidade Municipal, mulheres em trabalho de parto foram atendidas em sofás anteontem. Situações como estas tornaram-se frequentes tanto nos hospitais terciários como nos secundários, revelando uma crise crônica na saúde.
Para o secretário de saúde do município, Agajan Der Bedrossian, a situação só será resolvida quando medidas forem tomadas para sanar o problema como um todo. ‘‘O sistema todo está desorganizado. É preciso mais recursos, boa vontade apenas não resolve.’’
Bedrossian acredita que a criação de mais 100 leitos destinados à saúde pública no município já ajudaria a desafogar os hospitais. Ao mesmo tempo, porém, ele lembra que não adianta resolver só a situação de Londrina e deixar que os outros municípios permaneçam no caos. ‘‘Mesmo que consigamos aumentar os leitos aqui, eles serão sucessivamente lotados, na medida em que pacientes de fora continuem a ocupá-los cada vez com maior frequência’’, diz o secretário, lembrando que várias cidades do País estão enfrentando o fechamento de hospitais.

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