Lino Ramos
De Londrina
Especial para a Folha
As vagas disponíveis nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) dos hospitais de Londrina não foram suficientes para atender a demanda registrada ontem à tarde pela Central de Leitos da 17ª Regional de Saúde. Segundo o cadastro do Sistema Único de Saúde (SUS), o município possui 90 leitos em UTIs, mas sete pacientes aguardavam a liberação de vaga.
Segundo informação da chefe da Divisão de Assistência à Saúde da 17ª Regional, Rosilene Aparecida Machado, quatro pessoas vítimas de traumatismo craniano ou acidente vascular cerebral (derrame), estavam na fila da Central de Leitos. Entre eles, um paciente do Hospital Zona Sul, um de Cambé, um de Ibiporã e outro de Rolândia, municípios próximos de Londrina.
O Hospital Universitário (HU), que enfrentava o terceiro dia de superlotação em seu pronto-socorro, estava com três pacientes respirando com a ajuda de aparelhos à espera de um leito em UTI. Eram dois homens de 50 e 67 anos e uma mulher com 81 anos. ‘‘Estamos procurando vagas em todo o Estado’’, explicou Rosilene Machado.
No Hospital da Zona Norte um paciente vítima de pneumonia ficou 12 horas aguardando um leito de tratamento intensivo e só ontem à tarde foi encaminhado a uma UTI do Hospital do Câncer. O Zona Sul recebeu ontem à tarde uma criança com fratura exposta no punho direito e depois de uma hora conseguiu internação para cirurgia no Hospital Evangélico.
De acordo com o Secretário de Saúde do município, Agajan Der Bedrossian, a maior parte dos municípios do Estado não possui leitos em UTI. Segundo ele, o investimento em Unidade de Terapia Intensiva não é lucrativo porque o leito é do paciente que chega primeiro, seja particular, de convênio ou do SUS. ‘‘Eu tenho informações de que em algumas cidades há UTIs montadas mas não são ativadas porque a manutenção é deficitária’’, comenta.
Na quinta-feira, o HU enfrentou uma crise sem precedentes, com 76 pessoas internadas no pronto-socorro. Ontem à tarde, o superintendente do hospital, Cláudio Camacho Biazin, também tentava driblar a superlotação no pronto-socorro, onde há 33 leitos, mas havia 69 pessoas em macas pelos corredores e ambulatórios médicos. Havia uma preocupação maior com a qualidade do atendimento porque os pacientes eram mais graves.
Cláudio Camacho afirma que o HU está procurando fazer uma triagem e pedindo a outras instituições que não encaminhem pacientes, mas muitas pessoas em estado grave procuram atendimento e precisam ser internadas. ‘‘Há muitas razões para essa crise, como o fechamento de hospitais na região ou o descredenciamento do SUS, a desistência dos planos de saúde e a crise no IPE (ParanaPrevidência)’’, explica.
Até o final deste mês, o superintendente do HU espera uma posição do secretário de Ciência e Tecnologia do Estado, Ramiro Wahrhaftig, sobre os R$ 7 milhões prometidos para a reforma e ampliação do hospital. ‘‘A gente vem alertando há muito tempo que a qualquer hora haverá o caos. Isso já anunciado’’, lamenta.

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