O Hospital Evangélico e a Santa Casa de Londrina vão ter que devolver a verba repassada pelo município para que fossem instalados equipamentos de hemodiálise mas que foi aplicada em outras finalidades. A decisão foi tomada em uma reunião do Conselho Municipal de Saúde, anteontem à noite. São 350 doentes na cidade que precisam do tratamento.
O problema dos renais crônicos foi levantado em reportagen feitas pela Folha no início de setembro. No dia 3, houve o alerta do nefrologista Altair Mocelin de que o tratamento poderia ser inviabilizado em viturde do aumento nos custos nos últimos anos. No dia 6, o secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, afirmou que a responsabilidade por problemas no atendimento dos doentes em Londrina seria dos hospitais que receberam verbas para instalar setores de hemodiálise, mas não o fizeram.
Segundo o secretário, em 1996, o Conselho Municipal de Saúde liberou recursos do Fundo Municipal de Saúde para que a Santa Casa, o Hospital Evangélico e o Hospital Universitário (HU) montassem estrutura para a operação de serviços de hemodiálise. De acordo com ele, cada um recebeu R$ 150 mil mas, destes, o único que montou um serviço para hemodiálise foi o HU. O setor de hemodiálise do HU tem nove máquinas, mais um equipamento para filtragem da água comprados com a verba do fundo e que estão em funcionamento desde março deste ano.
Fernandes informou, ontem, que os hospitais apresentaram oficialmente as contas, mas a assessoria jurídica orientou que fosse pedida a devolução da verba, já que o dinheiro foi utilizado para outras finalidades. De acordo com ele, o dinheiro será devolvido com correção monetária e juros e irá para o Fundo Municipal de Saúde.
Ana Maria da Cruz, presidente do SindiSaúde, representante dos trabalhadores no Conselho, concorda com a devolução. ''A aplicação do dinheiro público precisa ser feita com responsabilidade e para a finalidade a que foi destinado. Essa verba tinha um fim específico e não foi utilizada para ele.'' Para Ana, a decisão foi acertada e serve para as pessoas ficarem mais alertas para o uso do dinheiro público. ''Se os hospitais queriam usar o dinheiro para outros fins tinham que ter pedido autorização do conselho.''
Paulo Lima, representante dos usuários no Conselho, disse que na próxima reunião, a ser realizada no dia 12 de novembro, será detalhada a forma de pagamento da dívida. ''O importante é que a dívida será paga e com correção. O papel dos conselheiros é acompanhar e fiscalizar o uso das verbas e é muito bom que, depois de seis anos, tenhamos esse dinheiro devolvido para o fundo''.

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