Cascavel - Representantes de cinco hospitais particulares de Cascavel se reuniram ontem e decidiram entrar com uma ação judicial contra a decisão do governo federal de bloquear parte do orçamento das Autorizações de Internamentos Hospitalares (AIHs). O tipo de ação a ser movida está sendo estudada pelo departamento jurídico do Sindicato dos Hospitais.
O médico Antônio Romero, que representa o Hospital Policlínica, considera ''calote'' a suspensão do pagamento de serviços já prestados. Segundo ele, o recurso judicial é necessário porque os prestadores de serviços ao SUS temem que o bloqueio das AIHs se estendam todos os meses, até o fim do ano. ''Estaremos, apenas, garantindo nosso direito. Afinal, prestamos um serviço e não recebemos'', afirma Romero.
O médico critica o conteúdo do memorando comunicando o bloqueio das AIHs. No memorando, os hospitais credenciados ao SUS são informados que ''tão logo seja possível'' vão autorizar a reapresentação das AIHs bloqueadas. Romero afirma que o governo concedeu aumento de valor nos procedimentos, ''mas não pagou''. No último mês, as consultas pagas pelo SUS aos médicos especialistas passou de R$ 2,55 para R$ 7,55. Já o valor pago pelas consultas de urgência e emergência passou de R$ 3,16 para R$ 8,16.
Conforme ele, apesar do reajuste, os procedimentos pelo SUS continuam ''muito mal remunerados''. Antes do aumento de cerca de 150% concedido em julho, a verba repassada pelo Ministério da Saúde ao governo do Paraná já era insuficiente.
A atitude do governo de bloquear o pagamento de parte das AIHs já reflete no Consórcio Intermunicipal de Saúde (Cisop), que nos últimos dias teve um aumento significativo no número de pessoas que permanecem na fila esperando por uma consulta. Os hospitais particulares estão atendendo pelo SUS somente casos de emergência. Os atendimentos eletivos estão sendo adiados. Somente o Hospital Universitário está atendendo as pessoas que não possuem plano de sa© úde.

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