Lucilia Okamura
De Londrina
As pessoas que procurarem os hospitais de Londrina só poderão ser dispensadas após passarem por uma triagem médica - e não serem submetidos a uma observação de leigos, como porteiros. Esta foi uma das propostas surgidas durante reunião realizada ontem à tarde, no Fórum, que reuniu representantes de todos os hospitais (com exceção da Santa Casa) para discutir problemas na área da saúde que vem ocorrendo nas últimas semanas - fechamento de pronto-socorro, do Pronto Atendimento Infantil (PAI) e mortes de pacientes, possivelmente, por falta de atendimento.
A reunião foi convocada pela promotora de Justiça Solange Novaes da Silva Vicentin e a juíza Oneide Negrão. ‘‘Diante das notícias que alguns hospitais fecham o Pronto-Socorro e falta o atendimento de urgência e emergência, queremos pedir a colaboração de todos’’, esclareceu a promotora.
O diretor-clínico do Hospital da Zona Norte (HZN), Luís Fernando Rodrigues, disse que o o PS não é fechado, mas suspenso por algumas horas. ‘‘Suspendemos por três a quatro horas no máximo e remtamos o atendimento’’, afirmou. ‘‘A orientação que damos é que se chegar algum paciente mal, vai ser colocado para dentro e atendido’’.
O diretor-clínico do Hospital Universitário, Sylvio Villari Filho, disse que gostaria de não suspender atendimentos. ‘‘Se chegar um paciente grave e se não tiver retaguarda da UTI (Unidade de Terapia Intensiva), eu não posso receber, porque ele pode morrer’’, disse. ‘‘E também não adianta internar e ficar com ele no colo’’.
A promotora observou que, se acontecer algum problema, um paciente que não é atendido ou é mal encaminhado e vai a óbito, por exemplo, os responsáveis podem ser implicados criminalmente. ‘‘Quero saber se vocês estão cientes da responsabilidade’’, ressaltou.
O ex-diretor-clínico do Hospital Evangélico, Lauro Vargas Filho, disse que faz quatro anos que o PS não fecha. ‘‘Se não foram tomadas medidas, provavelmente, entraremos na fila dos que devam fechar também’’, alertou. Ele sugeriu que o diretor-clínico seja o responsável pela decisão de fechar ou não o PS e também que o paciente seja dispensado somente depois de passar por uma avaliação médica.
Villari Filho se comprometeu a realizar uma reunião, na próxima segunda-feira, com os médicos plantonistas e coordenadores de área, para discutir melhor o assunto. ‘‘Vou me esforçar para que todo caso seja atendido por um médico antes de ser dispensado’’.
O diretor-clínico do HU disse acreditar que muitos problemas poderiam ser resolvidos se o HE e a Santa Casa fizessem plantão diariamente - atualmente, eles fazem plantões em dias alternados. Tanto Vargas Filho como o diretor-clínico do HE, Jorge Pereira Cardoso afirmaram que, mesmo em dias que não estão de plantão, qualquer paciente que chega no hospital é avaliado e, se preciso, internado.

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