Hospitais temem cortes no atendimento
O anúncio do secretário-executivo do Ministério da Sáude, Barjas Negri, de que vai faltar dinheiro para pagar os hospitais até o final do ano, não é surpresa para o presidente da Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar), José Francisco Schiavon. Negri afirmou que é necessária a liberação de uma suplementação de R$ 600,00 milhões para os hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Schiavon, a história se repete todos os anos, colocando o setor em alerta.
Schiavon diz que as dificuldades financeiras se tornaram comuns porque o Ministério da Saúde subdimensiona o orçamento previsto para custear as despesas na área. O governo não acredita no que nós falamos e depois precisa fazer cortes, afirma. O dirigente da Fehospar acredita que o problema vem acontecendo propositalmente. Isso pode dar condições ao governo de criar novos impostos, como é o caso da CPMF, que de 0,20% vai passar para 0,30% sobre as movimentações financeiras, diz.
O presidente da Fehospar diz não acreditar que o governo deixará a situação tomar rumos tão drásticos, obrigando os hospitais a reduzir o número de atendimentos. Acho que o ministério precisa tomar uma decisão política para garantir a suplementação, afirma. Além disso, ele diz que os valores pagos pelo ministério pelos procedimentos médicos são tão baixos que ele terá o dinheiro para bancar as dívidas. Hoje, por exemplo, os hospitais recebem R$ 2,04 por uma consulta médica.
O superintendente do Hospital Cajuru, Luiz Salim Emede, também prefere não cogitar a possibilidade de cortes do atendimento de pacientes. Já vivemos uma situação difícil. Se houver mais cortes, vai morrer gente, diz. O Cajuru atende diariamente uma média de 300 pacientes no pronto-socorro. Destes, cerca de 30 precisam de internação. Não quero nem pensar que o governo não vai achar uma saída. Se isso acontecer será pior que uma guerra civil. Quero ter o direito de continuar atendendo as pessoas, afirma. As despesas mensais do hospital com o SUS chegam a R$ 1 milhão por mês.
O Ministério da Saúde tenta, desde junho, a suplementação para pagar principalmente os hospitais que prestam serviços ao SUS. Segundo a assessoria de imprensa do MS, até ontem o governo não havia decidido sobre a liberação do recurso. Schiavon diz que, sem essa verba, o ministério não terá dinheiro para pagar os estabelecimentos a partir de dezembro.
Depois de longos períodos de atraso, o presidente da Fehospar diz que os hospitais estão recebendo regularmente pelos procedimentos que realizam. Mas sem recursos, os estabelecimentos deixaram de realizar investimentos, como a compra de novos equipamentos.Arquivo FolhaDramaSalim Emede diz que se houver mais cortes, vai morrer genteAdriana Ribeiro





