Mauricio Della Barba
De Londrina
Os hospitais de Londrina não têm condições de absorver o impacto causado por um possível descredenciamento geral do Hospital Evangélico (HE) do Sistema Único de Saúde (SUS). A constatação foi feita ontem, durante uma reunião entre o secretário Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, e representantes dos hospitais, postos de saúde, 17ª Regional de Saúde, e da Central de Leitos do Paraná.
Os membros chegaram a um consenso que não se deve aplicar, por enquanto, a lei que descredencia o HE do SUS. ‘‘Se já estamos vivendo o caos com o HE sem o pronto-socorro (PS), imagina com o total descredenciamento’’, disse Sérgio Canavezi, diretor do PS da Santa Casa.
Os hospitais da Zona Norte (HZN) e da Zona Sul (HZS) também fizeram a mesma avaliação. ‘‘Estamos em reforma e seria inviável absorver mais pacientes’’, explicou o diretor clínico do HZN, Luis Fernando Figueira. ‘‘Não vamos conseguir dar conta da demanda’’, afirmou a diretora do HZS, Vera Marvule.
Apesar da constatação, os dirigentes da saúde da cidade pouco podem fazer se o HE optar pelo descredenciamento total. Apesar do diretor-geral do HE, Antonio Carlos Ribeiro, ter declarado nesta semana que não existe a intenção de fazê-lo, o descredenciamento total seria uma forma de acabar com o constante prejuízo do hospital, estimado em cerca de R$ 300 mil mensais.
A diretora de controle e avaliação do SUS em Londrina, Rosângela Libanori, disse que, na prática, o HE já vem ‘‘fechando suas portas’’ ao SUS. ‘‘Nesta semana, praticamente 100% dos leitos da UTI do HE estavam com pacientes de convênios’’, explicou.
O diretor do HE negou a declaração de Rosângela Libanori e informou que as UTIs do hospital, que dispõem de 24 leitos, estavam ontem com 30 pacientes internados, sendo que 11 deles eram do SUS, entre adultos e crianças. ‘‘Mostro a quem quer que seja que as vagas da UTI estão sendo usadas por pacientes do SUS. A diretora está equivocada’’, disse Ribeiro.
A coordenadora da Central de Leitos do Paraná, Leny Spolador, estava aflita durante a reunião pois há dois dias tenta encontrar vagas na UTI para sete pacientes em estado grave em Londrina. Três destes pacientes estão sendo atendidos no PS da Santa Casa e outros dois no Hospital Universitário. ‘‘Eles deveriam estar na UTI, mas não há vagas’’, dizia Leny.
Para os diretores dos hospitais e representantes da saúde de Londrina, o HE estaria apenas tentando ‘‘oficializar’’ o descredenciamento com o SUS. ‘‘Já fecharam uma porta de entrada que era o PS e agora estão diminuindo as ofertas para os leitos de internação’’, disse a coordenadora da Central. O HE disponibiliza cerca de 70 leitos para pacientes do SUS.