A intenção do governo estadual de cortar aposentadorias e salários de servidores que acumulam cargos em órgãos públicos provocará reflexos imediatos nos Hospitais da Zona Norte e Zona Sul de Londrina, que já sofrem com defasagem de pessoal. A afirmação é da presidente do Sindicato dos Empregados em Saúde, Ana Maria da Cruz.
Segundo levantamento da Regional, 22 funcionários acumulam cargos em um dos dois hospitais ou na própria 17ª Regional de Saúde e no Hospital Universitário (HU). Desse total, cinco são técnicos em laboratório, dois auxiliares de laboratório, sete técnicos de raio X, seis auxiliares de enfermagem e dois bioquímicos. ‘‘A maioria vai preferir ficar no HU, onde trabalha há mais tempo’’, acredita Ana Maria.
A sindicalista explica que a medida irá provocar caos nos hospitais da Zona Norte e Zona Sul. ‘‘Com a saída desses servidores, como explicar depois para o usuário que não tem gente para atender?’’, questiona.
Segundo Ana Maria, já foram feitos contatos com a 17ª Regional de Saúde, pedindo que interceda junto à Secretaria Estadual de Saúde para reverter esta situação. A assessoria jurídica da entidade também está analisando o caso para verificar quais medidas podem ser tomadas.
A chefe da 17ª Regional, Djamedes Garrido, diz que no caso da maioria optar mesmo pelo HU, a situação nos dois hospitais ficará complicada. ‘‘Já fizemos um convênio com o Cismepar (Consórcio Intermunicipal do Médio Paranapanema) para procurar suprir faltas. Mas se os servidores saírem será preocupante’’, observa.
Djamedes Guarrido diz que mesmo sem ter informações oficiais sobre os servidores, enviou um memorando ao setor de Recursos Humanos da secretaria da Saúde mostrando essa preocupação.
No Instituto Agronômico do Paraná, a situação não é preocupante, segundo o diretor de Recursos Humanos, Heitor Neia. Dos aproximadamente mil funcionários, apenas 12 se enquadram na situação. ‘‘É uma pequena minoria’’, observa. Ele afirma que os 12 casos são regulares e estão previstos na legislação. E cita como exemplo servidores aposentados que voltam ao serviço público após prestarem concurso.
Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), 87 pessoas acumulam cargos. Até a tarde de ontem, quatro haviam pedido exoneração da universidade, 48 tinham apresentado justificativas para ter os dois cargos e 23 já tinham feito a opção por uma das funções, sendo que 22 preferiram ficar na UEL. Os demais ainda não fizeram a opção.

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