O Conselho Municipal de Saúde (CMS) de Foz do Iguaçu oficializou ontem os três hospitais credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) - Hospital Internacional, Hospital Costa Cavalcanti e Santa Casa Monsenhor Guilherme - que estão se recusando a assinar o Pacto Pela Vida, criado pela Secretaria Municipal da Saúde depois do fechamento do Pronto Atendimento Médico (PAM), único local de atendimento a pacientes do sistema público. No primeiro dia de vigor do novo sistema, uma pessoa morreu por falta de atendimento.
O PAM começou a ser desativado segunda-feira, depois que o Conselho Regional de Medicina (CRM) fez uma inspeção no local e apontou falhas na infra-estrutura física e nos equipamentos disponíveis. O PAM, que ficava aberto 24 horas e atendia urgências, emergências e consultas, está fazendo apenas o turno das 8 horas às 23 horas com consultas.
O secretário da Saúde Sadi Buzanelo determinou o fechamento do local e se reuniu com diretores dos três hospitais da cidade que já prestam serviços ao SUS para que ampliassem o atendimento. Todos se negaram a assinar o documento Pacto Pela Vida alegando que não há vantagens. O Hospital Internacional atende apenas aos casos de ginecologia e partos, enquanto a Santa Casa fica com os atendimentos de urgência (quando há risco de vida) e o Costa Cavalcanti cede apenas 24 leitos para cirurgias marcadas com antecedência e mais 24 leitos para ambulatório.
O diretor da Santa Casa, João Muller, disse que o hospital vai continuar atendendo apenas as urgências e emergências. A Santa Casa alega que a prefeitura tem uma dívida de R$ 400 mil com o hospital e ainda não colocou em prática um contrato onde se comprometia a pagar melhor os serviços e reformar uma ala desativada.
O diretor do Hospital Costa Cavalcanti, Ricardo Foster, disse que o hospital não tem condições de absorver a demanda do sistema público. ‘‘Estão transferindo para a rede credenciada a responsabilidade que é da prefeitura’’, diz Foster.
O secretário-executivo do Conselho Municipal de Saúde Joel de Lima disse que é preciso que os diretores de hospitais mostrem compreensão e que está preocupado com um colapso no setor. Segundo ele, a Secretaria de Saúde se comprometeu a reabrir o PAM em fevereiro. ‘‘Mas agora é preciso bom senso’’, disse Lima.
Morte de diabético O promotor José Geraldo Gonçalves deve enviar na próxima semana o pedido de abertura de inquérito policial para investigar a morte do vigia aposentado Valentim José Dias, de 71 anos, na tarde de segunda-feira, primeiro dia em que o Pronto Atendimento Médico (PAM) foi desativado.
Dias foi atendido no Posto de Saúde do bairro Profilurb I (região sul da cidade) por volta de 14 horas. O médico plantonista o encaminhou para a Santa Casa após constatar quadro grave de diabetes. Na Santa Casa, ele teve o atendimento negado e morreu. O diretor do hospital, João Muller, disse que os funcionários do posto de saúde teriam que colocar um carimbo no encaminhamento dizendo que tratava-se de emergência. O secretário da Saúde, Sadi Buzanelo, contesta essa alegação

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