Curitiba

Arquivo FolhaJoão Acácio: esperando uma vagaVários hospitais de Curitiba estão se negando a atender o ex-Bandido da Luz Vermelha, João Acácio Pereira da Costa, internado há uma semana no Centro Psiquiátrico Metropolitano (CPM). Pela previsão inicial dos médicos, ele deveria permanecer internado no Centro por apenas 72 horas, realizando exames de emergência, para então ser transferido para um hospital psiquiátrico. Como várias instituições já fecharam as portas a João Acácio, ele continuará sendo atendido pela clínica até que apareça alguma vaga em outro centro de tratamento.
‘‘Não entendo o porquê deste comportamento por parte de determinadas instituições’’, diz o diretor geral do Centro Psiquiátrico Metropolitano, José Roberto Gioppo. Segundo o médico, vários administradores de hospitais telefonaram avisando que não aceitariam o paciente por temerem sua presença junto a outros doentes. ‘‘O estigma ao redor do Bandido da Luz Vermelha é tão grande que algumas pessoas preferem ficar longe do assunto’’, diz. Até o final da tarde de ontem, o estado de saúde de João Acácio era considerado estável.
O diretor geral do Centro afirma que o próprio João Acácio pediu que a imprensa se mantenha afastada da clínica onde está internado. O médico acredita que isso indica que ele pretende se livrar aos poucos da imagem de criminoso. ‘‘João Acácio começa a sinalizar que está cansado da expectativa criada ao redor dele, que muitas vezes acaba direcionando seu comportamento’’, diz.
Segundo o diretor clínico do CPM, Carlos Abel Fiorucci, João Acácio tem problemas psiquiátricos crônicos e precisa ser tratado adequadamente. ‘‘Dificilmente problemas desta natureza conseguem ser resolvidos em pouco tempo’’, disse. Nas últimas semanas, João Acácio havia se tornado agressivo e chegou a ameaçar a algumas pessoas de morte em Joinville, onde vivia antes de ser transferido para Curitiba.
Desde que foi internado, terça-feira passada, o ex-detento tem sido submetido a uma série de exames neurológicos e psiquiátricos, que deverão avaliar suas condições de voltar a viver em sociedade. ‘‘Ele possui um histórico tumultuado por agressões e condutas violentas, o que torna difícil sua adaptação’’, explica o médico. Segundo Fiorucci, a falta de uma estrutura familiar adequada - João Acácio deixou de morar com seus parentes em Joinville depois de uma briga, no início do mês - acentua ainda mais seu desequilíbrio mental.

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