Os hospitais públicos e universitários do Paraná vivem a angústia diária da escassez. É um quadro que se torna mais grave a cada dia. Os indicadores vitais são preocupantes.
Faltam médicos, enfermeiros, remédios, estrutura, segurança e principalmente recursos.
Sobram pacientes, problemas, queixas, desafios e promessas.
No Paraná, a trajetória de quem fica doente (e não tem recursos para pagar atendimento particular) torna-se frequentemente uma viagem pelo caos, mesmo com todo o empenho dos profissionais de saúde.
Esses mesmos trabalhadores dos hospitais e a comunidade buscam a solução para um impasse que parece eterno. Tentam, de alguma maneira, buscar o remédio, o princípio ativo ou a terapia intensiva que faça o sistema público de saúde acordar de uma longa e sofrida doença crônica. Há propostas de criação de fundações e cobrança de atendimentos para suprir as imensas lacunas do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os hospitais universitários, concebidos como escolas avançadas da saúde pública, são muitas vezes a única opção de tratamento para a população de baixa renda. Na rotina dos plantões, os estudantes aprendem a arte da medicina na sala de aula mais conturbada: o pronto-socorro.
No HU de Londrina, a reforma imprescindível para a sobrevivência do hospital vem sendo adiada por anos seguidos. No HU de Maringá, a Polícia Militar precisa conter a fúria e a tensão dos plantões do pronto atendimento. O Hospital de Clínicas de Curitiba tem filas imensas e convive com déficit mensal. Em Cascavel, um hospital público luta para se tornar universitário, enquanto muitos leitos estão ociosos por falta de pessoal. Em todo o Estado, a sociedade tenta enxergar alguma luz no fim desse corredor.
Nesta edição, os repórteres da Folha ouviram pacientes e médicos, procuraram o diagnóstico dos especialistas e foram aos hospitais públicos para fazer uma radiografia da saúde paranaense.

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