Hospitais privados diminuem oferta de leitos para o SUS
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segunda-feira, 06 de abril de 1998
Israel Reinstein 
Arquivo FolhaFalta de recursosJosé Francisco Schiavon, presidente da Federação dos Hospitais e dos Estabelecimentos de Serviço de Saúde do Paraná (Fehospar): Com os pagamentos dos serviços clínicos congelados há quatro anos, fica cada dia mais difícil manter a infra-estrutura dos hospitaisA redução de leitos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a ampliação dos destinados aos convênios são o presente que a Federação dos Hospitais e dos Estabelecimentos de Serviço de Saúde do Paraná (Fehospar) darão hoje aos curitibanos, no Dia Mundial da Saúde. De acordo com o presidente da Federação, José Francisco Schiavon, este presente é o único que o setor pode oferecer à população, sem que ocorra a falência total dos serviços. Com os pagamentos dos serviços clínicos congelados há quatro anos, fica cada dia mais difícil manter a infra-estrutura dos hospitais, justifica Schiavon.
Por causa da falta de recursos, neste ano, grandes hospitais da cidade, como o Cajuru, das Clínicas e Erasto Gaertner, deverão construir ou ampliar as áreas destinadas aos serviços particulares. Nesses locais, pacientes do SUS não entram, avisa Schiavon. Nos últimos cinco anos, 17 dos 48 hospitais de Curitiba suspenderam os acordos com o SUS, passando a atender apenas convênios. Com isso, o número de leitos públicos caiu de 5.500 para 4.859.
O presidente da Fehospar diz que a posição dos hospitais não é desumana, mas necessária para sobreviver. Na média, o Ministério da Saúde teria que reajustar os serviços médicos em 120%, informa. Para cobrir um serviço de parto, por exemplo - e são oito, em média, realizados por dia na cidade -, o SUS repassa R$ 119,00 contra os R$ 330,00 necessários para pagar médicos, anestesiologistas, enfermeiros e materiais clínicos. Pagando pouco, o governo federal consegue manter o pagamento em dia, mas com isso vai ter que arcar com as consequências, adverte Schiavon.
Saúde pública- Schiavon diz que o resultado direto da falta de investimento público na saúde pode ser sentido no recrudescimento de doenças, que estavam extintas no Brasil. Segundo a diretora de Vigilância e Pesquisa da Secretaria Estadual da Saúde, Mariângela Galvão Simão, em todo o País - e também no Paraná - vem se registrando o aparecimento de enfermidades como sarampo, tuberculose, dengue, hanseníase, entre outras.
A doença que mais preocupa os técnicos, atualmente, é a dengue, que desde o início do ano já contabilizou 120 casos de pessoas contaminadas. Além dessa, o Paraná registra anualmente cerca de 2,6 mil casos de tuberculose. O problema da doença é que os novos casos trazem bacilos de Koch mais resistentes aos remédios, comenta Mariângela. O sarampo, que também retornou no Estado e este ano já conta com 78 casos. No Paraná ainda existem bolsões de esquistossomose, leishmaníose, doença de Chagas e hanseníase, esta última com 6 mil registros.


