Érika Pelegrino
De Londrina
Diretores-clínicos de hospitais de Londrina ainda são cautelosos ao falar sobre o descredenciamento do pronto-socorro do Hospital Evangélico do Sistema Único de Saúde (SUS), mas prevêem superlotações e uma consequente queda na qualidade de atendimento a partir de 26 de dezembro, quando entra em vigor a medida. Com cinco hospitais atendendo urgência e emergência pelo SUS, Londrina já vive problemas sérios na saúde pública.
A direção do HE comunicou o descredenciamento na semana passada, com isto a cidade passará a ter quatro hospitais para atender à demanda de uma média de 24 mil pacientes/mês, segundo dados da Diretoria de Auditoria, Controle e Avaliação (Daca), da Secretaria Municipal de Saúde.
O PS do HE atende em média 900 pacientes/mês em plantões que são alternados com a Santa Casa de Misericórdia, que atende, em média 3 mil pacientes por mês.
O diretor-clínico do Hospital da Zona Norte, Luiz Fernando Rodrigues, afirma que por enquanto médicos e demais profissionais estão ‘‘se preparando mentalmente’’ para o aumento de atendimentos.
‘‘Não é possível fazer muito mais que isto. Teremos que absorver esta demanda com a mesma estrutura que temos hoje’’, declara. Segundo ele, os profissionais do hospital estão na expectativa porque não sabem qual a real demanda do HE. ‘‘Eles afirmam que são atendidas 900 pessoas/mês, mas não sabemos se a realidade é esta mesmo’’, diz.
Luiz Fernando Rodrigues afirma ainda que prevê para o Hospital da Zona Norte situações já comuns em outros hospitais, com pessoas sendo atendidas em corredores. O diretor-clínico diz que, consequentemente, a qualidade de atendimento também estará comprometida.
‘‘Hoje, dependendo do caso, levamos uma média de 10 a 15 minutos para atender um paciente. Com o aumento da demanda este tempo será menor, ou teremos que aguentar a pressão da população no caso do atendimento ser interrompido, quando a situação se agravar’’, afirma. O HZN atende uma média de 7,5 mil pessoas por mês, no inverno o número sobe para 8,2 mil.
A situação no Hospital Universitário (HU), que atende uma média de 7 mil a 9 mil pessoas/mês no pronto-socorro, não é diferente. O diretor-clínico do hospital, Sylvio Villari Filho, também prevê sérias dificuldades. ‘‘Com o verão rigoroso que vem aí, quando aumentam os problemas infantis de diarréia, infecções de vias aéreas superiores, não teremos onde colocar pacientes’’, diz.
Ele entende que as direções dos quatro hospitais, que irão absorver a demanda do HE, ‘‘terão que sentar para conversar e ver como será possível fazer uma distribuição de pacientes de acordo com a complexidade do caso’’. A sua expectativa, porém, é de que o Poder Público tome providências para impedir que esta situação chegue a acontecer. ‘‘Espero que as secretarias Municipal e Estadual de Saúde interfiram junto ao HE para que o fechamento do pronto-socorro não ocorra’’, comenta.Diretores estão preocupados com o fechamento do pronto-socorro do Evangélico
Arquivo FolhaArquivo FolhaPREOCUPAÇÃOO diretor-clínico do HU, Silvio Villari Filho (ao lado), espera que a prefeitura e o governo do Estado não deixem o PS fechar. Promotor Paulo Tavares (abaixo) diz que o HE não é obrigado a manter o serviço

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