Londrina – A carência no atendimento dos hospitais da Zona Norte e Zona Sul de Londrina está ultrapassando a questão da falta de materiais. Segundo denúncia do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde Pública do Estado do Paraná (SindSaúde), as unidades, ambas vinculadas à Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), enfrentam falta crônica de funcionários.
Um dos problemas apontados na denúncia é que as instituições estão sem o número adequado de farmacêuticos. Também faltam funcionários das áreas de enfermagem e copa. O problema estaria acentuado em função das horas extras que a categoria tem de fazer. Os recursos humanos, assinala o sindicato, não acompanharam a ampliação de leitos nos dois hospitais em 2007. "O Zona Norte e o Zona Sul precisariam de, no mínimo, mais 150 pessoas em cada um para cumprir 24 horas, a curto e médio prazo", calcula a diretora do SindSaúde, Elaine Rodella. O caso já foi levado ao Ministério Público.
Hoje, o Hospital da Zona Norte tem 109 leitos gerais e 371 funcionários. Já o Hospital da Zona Sul conta com 115 leitos gerais e 377 funcionários.
De acordo com a representante do SindSaúde, além da falta de concursos públicos para as carreiras da saúde, a categoria lida com baixas que nem sempre são repostas. É o caso de pedidos de exoneração, em função do baixo salário e condições de trabalho, e aposentadorias por tempo de serviço ou contribuição. "É falta de planejamento, financiamento ou mesmo ação", assinala. O resultado, observa Elaine, é a sobrecarga de que ainda está na ativa. "O próprio paciente acaba não tendo a devida atenção", disse à reportagem um servidor do Hospital da Zona Sul que preferiu não se identificar.
Conforme ele, a defasagem de pessoal se arrasta há pelo menos quatro anos. "Em 2006 tinha muita gente da região aprovada no concurso, mas que acabou não aceitando vir para Londrina. No chamamento seguinte, quem entrou também não supriu a demanda", pontuou.
Nas farmácias, o receio, apontam servidores, é que intercorrências possam ser registradas no setor no momento em que os farmacêuticos não estejam atuando. No Zona Norte, são apenas dois profissionais para cuidar de uma farmácia 24 horas. De dia, a unidade tem farmacêutico responsável, mas a partir das 19 horas fica a cargo de um técnico administrativo."A lei pede que haja pelo menos um farmacêutico em cada plantão", reforçou uma funcionária.
As supostas irregularidades, conforme o promotor de Defesa da Saúde Pública e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, estão sendo apuradas pelo Ministério Público. Um ofício foi encaminhado para a Sesa a fim de obter esclarecimentos sobre a falta de recursos humanos, em especial nas escalas das farmácias. "O secretário Michele Caputo nos enviou resposta pedindo uma dilação de prazo de 15 dias para averiguar a situação", explica Tavares, ao ponderar que, dependendo da situação, o caso pode ser judicializado.
O MP também apura denúncias do SindSaúde relacionadas à falta de materiais de limpeza, medicamentos e itens básicos como soro, álcool, papel toalha, seringas, luvas e esparadrapo. Haveria ainda, segundo o sindicato, falta de suprimentos para cirurgias, como fios para sutura, e comprometimento da alimentação fornecida a pacientes e funcionários, em razão da falta de pagamento em dia de fornecedores.

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