Hospitais podem suspender atendimento
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quinta-feira, 30 de abril de 1998
Israel Reinstein 
Os hospitais que atendem o Instituto de Previdência do Estado (IPE) podem suspender os atendimentos aos servidores estaduais na próxima semana. Segundo o diretor da Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar), José Francisco Schiavon, o IPE estaria devendo três meses de serviços médicos. A dívida chega a R$ 6,3 milhões. Atualmente, dez entidades de Curitiba já deixaram de prestar atendimento aos servidores. E este número pode crescer, porque algumas entidades estão abertas sem recursos até para capital de giro, diz.
De acordo com Schiavon, o governo estaria em débito com os hospitais desde dezembro. Não é a primeira vez que acontecem atrasos no pagamento, mas os hospitais deram um voto de confiança ao governo estadual para manter em dia as suas dívidas, afirma. Segundo ele, os repasses se mantiveram em dia por oito meses.
Por causa dos atrasos, a Associação dos Professores do Paraná (APP) pretende entrar com um processo contra o governo pedindo a regularização dos serviços. Não é possível que o governo não tenha dinheiro para pagar os hospitais, se desconta 10% dos nossos salários para estes fim, diz o diretor de comunicação da entidade, José Rodrigues Lemos.
Lemos afirma que o governo estaria desviando os recursos destinados à saúde, para outros fins. Segundo relatórios do Tribunal de Contas do Estado, o governo Jaime Lerner deixou de repassar R$ 46 milhões aos cofres do IPE, garante. Ele conta que em 1995, dos R$ 33,7 milhões que deveriam ser destinados ao IPE, porque viriam da folha de pagamento dos servidores, foram liberados apenas R$ 13,3 milhões. Em 1996, o governo estadual teria ficado com R$ 15 milhões dos R$ 26 milhões arrecadados.
A chefe de gabinete do IPE, Vilma Regina Dias, confirma que há atraso com os hospitais. Pagamos dezembro, na semana passada, mas falta cumprir os serviços dos meses restantes, diz. Ela afirma que os atrasos são provocados pela demora da Secretaria Estadual da Fazenda em enviar as verbas. Dependemos dessas liberações, que caem numa conta única, onde é liberado o dinheiro automaticamente, diz.
Vilma acrescenta que o dinheiro que vem do governo estadual sai exclusivamente dos cofres públicos. O que o governo desconta dos funcionários é referente à posentadoria e INSS. E o funcionário não contribui com os gastos do IPE, diz.
No entanto, o secretário estadual da Fazenda, Giovani Gionédis, afirma que os atrasos com os hospitais são de responsabilidade exclusiva do IPE. A receita que tinha que ser repassada já foi enviada. Se o IPE não consegue se manter em dia, mesmo recebendo em tempo hábil os seus R$ 3,5 milhões mensais, o problema é administrativo deles, critica.


