Hospitais particulares querem compensação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de julho de 2003
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os hospitais particulares de Curitiba querem uma compensação do município para ofertar leitos a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar) já vinha reivindicando uma redução da carga tributária junto à prefeitura de Curitiba. O pleito ganhou força, no início da semana, quando o secretário municipal de Saúde, Michele Caputo Neto, baixou uma resolução autorizando o Centro de Assistência à Saúde do município a requisitar leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de estabelecimentos não conveniados ao SUS.
A proposta da Fehospar, segundo informou a assessoria de imprensa, é de que o Imposto Sobre Serviços (ISS), que hoje é de 5% sobre os valores arrecadados, seja reduzido para 2%. A sugestão seria uma alternativa para ''amenizar o prejuízo dos hospitais'', mas não quer dizer que os estabelecimentos irão aceitar abrir vaga para pacientes do SUS, avisou a entidade.
A medida anunciada por Caputo Neto se antecipa a uma eventual insuficiência de leitos do SUS, caso a Capital cresça a demanda de pacientes de outros municípios, como Ponta Grossa, que vem enfrentando grave problema de falta de leitos de UTI. A secretaria municipal de Saúde se propõe a ressarcir os procedimentos prestados pela rede não conveniada de acordo com os valores da tabela de serviços hospitalares do SUS.
Para a Fehospar, o pagamento pela tabela do SUS inviabiliza o atendimento por se tratar de um serviço de alto custo. De acordo com a entidade, os hospitais particulares de Curitiba teriam condições de disponibilizar 35% dos leitos de UTI para absorver a demanda de pacientes do SUS.
O chefe de faturamento da empresa Contas Médicas, que presta serviços para hospitais, Omar Eugênio de Oliveira, não concorda que os hospitais irão ter prejuízo sendo ressarcidos pela tabela do SUS. Segundo ele, o SUS paga R$ 164,40 a diária de um paciente internado em uma UTI, enquanto pelos convênios particulares o valor é progressivo de acordo com os procedimentos utilizados. Ao receber pelo SUS, os estabelecimentos terão um ganho menor, mas não prejuízo, garantiu ele.
A Folha não encontrou ninguém da prefeitura de Curitiba que pudesse comentar o assunto.


