Hospitais não aceitam abrir os prontos-socorros todos os dias
Hospitais não aceitam abrir os
prontos-socorros todos os dias
Diretores da Santa Casa e do Evangélico dizem que é inviável acabar com rodízio de plantões nos PSs
Osmani Costa
César AugustoCobrançaO promotor Paulo Tavares: Os hospitais alegam que não podem fazer o plantão diário. Queremos saber, no papel, por que não podem As direções dos hospitais Santa Casa e Evangélico não aceitam colocar em funcionamento seus prontos-socorros (PSs) todos os dias, em substituição ao atual esquema de plantões alternados - dia sim, dia não - que ocorre há cerca de 20 anos. A proposta de acabar com o rodízio nos plantões foi feita na tarde de ontem, em reunião no Fórum de Londrina, pela chefe da 17ª Regional de Saúde, Djamedes Garrido, ao promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares.
O promotor diz que gostou da proposta. Ele considera o plantão diário dos PSs dos dois hospitais um caminho para a solução da atual crise no atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Londrina. A situação está muito ruim. Há um estrangulamento, uma sobrecarga de atendimento no sistema de atendimento da saúde pública. Precisamos encontrar saídas urgentes. Ele pretende solicitar da Santa Casa e do Evangélico detalhes técnicos sobre a proposta da abertura diária dos prontos-socorros. Os hospitais alegam que não podem fazer. Queremos saber, tecnicamente, tudo no papel, por que não podem, afirma Tavares.
Esta proposta é inviável. Não existe a menor possibilidade dela ser implantada. Ela significaria a falência do nosso hospital. Não temos condições estruturais, de recursos humanos e nem suporte financeiro para colocar em funcionamento diário o nosso pronto-socorro, comenta o diretor geral do Hospital Evangélico (HE), Antonio Carlos Ribeiro. Segundo ele, cerca de 50% de todo o atendimento prestado pelo HE é para pacientes do SUS.
Ribeiro diz que aumentar a margem de atendimento colocaria em risco as finanças do hospital. Aumentar esse atendimento pelo SUS é aumentar o nosso prejuízo. Não podemos aceitar a proposta, porque quebraria o Evangélico. O SUS paga R$ 2,04 por consulta e R$ 4,50 por diária de internação. Isso é muito pouco. Já damos a nossa cota de participação, não podemos aumentá-la sob o risco da falência.
De acordo com ele, o PS do Evangélico atende em média 180 pessoas em cada plantão, além de realizar outras 350 consultas pelo SUS. O hospital possui 240 leitos em apartamentos e enfermaria, dos quais 135 estão reservados a pacientes do SUS. Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), afirma o diretor do HE, 28 dos 37 leitos são para o SUS.
O dia em que nosso PS não está de plantão é o tempo que temos para reorganizar nosso atendimento, para encaminhar os pacientes às cirurgias, aos pós-operatórios, os exames laboratoriais mais aprofundados. É o espaço que necessitamos para respirar, para cuidar dos atropelados, dos enfartados, dos casos mais graves que ficaram pendentes na internação. Este intervalo entre os plantões é fundamental, diz o diretor-clínico da Santa Casa, Miguel Alves Pereira Júnior.
Segundo ele, o PS da Santa Casa atende a cada plantão em média 190 pessoas, além de outras 120 consultas ambulatoriais; 65,19% de todo atendimento do hospital são a pacientes do SUS. Dos 210 leitos disponíveis, 114 estão reservados a atendimentos pelo SUS.
Na opinião do médico, a proposta de tornar ininterrupto o atendimento dos PSs do Evangélico e Santa Casa é inviável, mas não só pela questão financeira. Mais importante que isso são as questões ligadas à capacidade estrutural, de espaço, de equipamentos, de leitos e de recursos humanos. Se passarmos a atender todos os dias, o caos no atendimento pode aumentar.





