Hospitais londrinenses já cumprem lei que obriga comunicar agressão
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quinta-feira, 27 de novembro de 2003
Camilla Rigi<br> Reportagem Local 
Os hospitais de Londrina não terão muitos problemas para se adequar à nova lei que obriga todos as instituições do tipo a notificar os atendimentos de casos de violência contra a mulher. Segundo a titular da Delegacia da Mulher, Maria Josiléia Pigozzi, desde que assumiu o posto, há 16 anos, os hospitais já notificam os casos de agressões. Porém, Josiléia lembra que o grande problema é a mulher admitir que sofreu violência. A lei nº 10.778 foi publicada anteontem Dia Internacional Contra a Exploração da Mulher no Diário Oficial da União.
A resistência em relatar a agressão é confirmada pela assistente social do pronto-socorro do Hospital Universitário (HU), Tereza Casali. Ela conta que quando a mulher chega ao HU e relata que sofreu violência ou quando os médicos percebem a situação, eles acionam as assistentes sociais que conversam com a vítima sobre os procedimentos que podem ser realizados. ''Algumas, a gente leva de ambulância para fazer a denúncia'', conta Tereza. Mas ela ressalta que, em caso de agressões leves e em vítimas com mais de 18 anos, o hospital respeita a decisão da paciente. ''Se ela não quer, nós não comunicamos''.
A Santa Casa de Londrina adota uma atitude parecida. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, os casos de violência contra a mulher são notificados diretamente à Delegacia central no momento que a vítima entra no pronto-socorro. Mas, para isso, a vítima tem que admitir que foi agredida. Os casos graves, os funcionários comunicam à Delegacia da Mulher.
Já o diretor-geral do Hospital Evangélico, Antônio Carlos Ribeiro, conta que a notificação só é feita à Secretaria de Saúde, para manter o sigilo do prontuário. ''Nós orientamos o paciente sobre seus direitos, mas somente ele pode decidir se vai fazer a denúncia ou não''. Ribeiro disse que, se a nova lei exigir a notificação à delegacia, o hospital fará as modificações necessárias.
A diretora do Centro de Atendimento à Mulher (CAM), Sandra Coelho, acredita que com a publicação da nova lei os dados sobre os casos de violência vão passar a refletir melhor a realidade do Brasil e de Londrina. Ela conta que, há 10 anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a considerar este tipo de violência como um problema de saúde pública e a atitude do governo federal só vai beneficiar o combate às agressões. ''Os funcionários de hospitais são parceiros fundamentais no combate à violência, pois muitas pessoas que vêm nos procurar aqui no CAM já passaram pelo sistema de sa©úde''.
Sandra também espera que, com a lei, os profissionais da saúde fiquem mais atentos a este tipo de violência. E lembra que a Secretaria da Mulher de Londrina já desenvolve cursos de capacitação que orientam estes profissionais a lidar com este tipo de situação. Contudo, ela acredita que as denúncias que partem de hospitais ainda são poucas.
Só no ano passado, a Delegacia da Mulher de Londrina atendeu 2.117 mulheres em situação de violência. Já este ano foram 1,5 mil casos atendidos. No Brasil, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher estima em 40 mil o número de vítimas, a cada ano. E, segundo a diretora do CAM, estes números refletem apenas um terço dos casos de violência contra a mulher. O Centro de Atendimento à Mulher fica na Rua Sílvio Pegoraro, 251. Fone (43) 3341-2312.


