A paralisação dos funcionários dos hospitais Universitário (HU), de Clínicas (HC) e Zona Norte (HZN) de Londrina não deve afetar os atendimentos de urgência e emergência na cidade. A garantia foi dada ontem pelos diretores-clínicos dos hospitais. Segundo eles, foi montado um esquema especial para atender os casos mais graves durante o período da paralisação. No HU e HC, a paralisação de dois dias foi decidida em assembléia na semana passada e acontece junto com o movimento das instituições de ensino superior do Estado (leia texto nesta página).
A preocupação maior da população é com a adesão do HU, o maior centro de referência do Norte do Estado, à paralisação. Porém, segundo o diretor-clínico do hospital e do HC, Sílvio Villares Filho, todos os pacientes internados vão continuar com atendimento normal e o pronto-socorro estará atendendo urgências e emergências. No HC, a paralisação vai atingir também o ambulatório.
‘‘O que pode ser adiado, e isso a gente ainda está resolvendo, são as cirurgias eletivas programadas, que poderão ser transferidas para outras datas’’, explicou Villares. De acordo com ele, alguns tipos de cirurgias eletivas, como as de câncer, no entanto, deverão ser feitos normalmente. ‘‘No HC também estarão sendo atendidas as consultas pós-operatórias’’, disse. Segundo Villares, os pacientes que têm consultas agendadas para os dois dias de paralisação devem procurar o Serviço de Arquivo Médico e Estatístico (Same) para remarcar as datas.
Conforme a presidente do Sindicato da Saúde de Londrina (Sinsaúde), Ana Maria Cruz, no HC estarão apenas oito servidores atendendo a população, principalmente para informar os pacientes sobre como remarcar as consultas. Já no HU, segundo ela, estarão trabalhando apenas os servidores necessários para manter os serviços essenciais, de acordo com escalas feitas pelos próprios funcionários. ‘‘Os demais ficarão concentrados no pronto-socorro. Se surgir alguma emergência, que necessite de mais gente em serviço, já estará ali, disponível’’, afirmou.
No HZN, a paralisação deve durar apenas 10 horas, das 8 às 18 horas, e atingir só um turno de seviço entre os 130 funcionários contratados pelo Estado. O hospital conta ainda com 95 funcionários contratados pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), que não vão parar. Segundo o diretor-clínico do hospital, Luís Fernando Rodrigues, a paralisação não vai afetar os serviços de enfermaria e pronto-socorro. ‘‘Nós já montamos um esquema para que os eventuais buracos sejam cobertos por aqueles funcionários que não aderirem ao movimento’’, explicou.
Rodrigues pede, porém, para que a população procure os postos de saúde em casos mais simples. ‘‘Isso evita inclusive demora nos atendimentos que, lógico, com menos funcionários fica mais lento’’, explicou. O HZN faz, em média, entre 300 e 400 atendimentos por dia.
Para a Irmandade da Santa Casa (Iscal), que agrupa os hospitais Infantil, Mater Dei e Santa Casa, a paralisação nos outros estabelecimentos é preocupante porque, segundo o diretor-superintendente do Iscal, Fahd Haddad, os três hospitais ‘‘vão ficar sozinhos’’. ‘‘Pela lógica, deve haver uma sobrecarga. Mas, a princípio, o Iscal deve continuar atendendo normalmente’’, afirmou.
Segundo Haddad, não foi montado nenhum esquema especial de atendimento, além do que normalmente já ocorre. ‘‘Não temos nem espaço físico para isso. O hospital vem enfrentando um problema de superlotação desde o início do ano e não dá para por mais gente trabalhando ou mais macas, até por respeito à população’’, explicou. Para ele, dois dias de paralisação dos hospitais do Estado não devem afetar de forma grave o atendimento à população.
O frio que chegou ontem pode vir a ser um outro fator preocupante. ‘‘Nesta época, aumenta a procura dos hospitais por problemas respiratórios. Mas, felizmente, os postos de saúde têm ajudado muito e absorvido grande demanda da população nos casos mais simples’’, disse Haddad.
Já a Secretaria Municipal de Saúde de Londrina informou, por sua assessoria de imprensa, que vai estar em estado de alerta durante a paralisação dos hospitais, acompanhando de perto a situação da Santa Casa e dos postos de saúde 24 e 16 horas, além do Pronto Atendimento Infantil (PAI). Se houver necessidade, a secretaria deve acionar mais médicos de sua equipe para reforçar os postos José Belinati, Leonor, União da Vitória e Maria Cecília. ‘‘Mas acreditamos que a rede municipal de postos de saúde, que já vem absorvendo 60% dos atendimentos, seja suficiente’’, informou a assessoria.

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