Curitiba- Cerca de 50% dos hospitais filantrópicos, que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), podem ser fechados em 2006 no Paraná, segundo o diretor superintendente do Hospital São Vicente, Marcial Carlos Ribeiro, coordenador do I Fórum de Gestão Hospitalar, realizado semana passada em Curitiba, com a participação de representantes de cerca de cem hospitais do Paraná e de Santa Catarina - aproximadamente 60% deles pertencentes a hospitais filantrópicos.
Segundo Ribeiro, a crise no setor foi desencadeada em função de uma lógica simples, ''uma relação desproporcional entre despesas e ganhos''. Apesar disso, ele acredita que o principal problema não é falta de recursos. ''É possível administrar hospitais de forma rentável, desde que haja uma gestão eficiente'', afirmou. Para que um hospital seja considerado filantrópico, e portanto possa receber deduções de impostos, no mínimo 60% dos atendimentos devem ser feitos pelo SUS.
Um exemplo citado por ele é o da Santa Casa de Porto Alegre, que diversificou o atendimento: ''O hospital manteve os 60% dos atendimentos destinados ao SUS, mas passou a diversificar os outros 40% restantes através de convênios com planos de saúde particulares'', explicou.
No caso do Hospital São Vicente, em Curitiba, existente há 66 anos, 20% da arrecadação da empresa se destina ao atendimento do SUS e às entidades assistenciais Asilo São Vicente de Paula e Pequeno Cotolengo. A decisão foi tomada há 4 anos, quando o hospital, então em regime falimentar, foi comprado pela Fundação de Estudos das Doenças do Fígado. ''Neste período, nós passamos de 40 leitos para 130 leitos'', disse Ribeiro.
A diversificação no atendimento, no entanto, só se torna possível em cidades de grande ou médio porte, segundo opinião do consultor do Ministério da Saúde Paulo Eduardo de Mendonça:''A quase totalidade da clientela precisa ser atendida pelo SUS''. ''Os pequenos devem se articular com o Programa Saúde da Família, por exemplo, criado em meados da década de 90'', acrescentou.
Dados da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas, do ano de 2004, revelam que hospitais filantrópicos são os únicos existentes em 56% dos municípios do interior do País - 40% estão em municípios com menos de 20 mil habitantes.
Segundo a Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Paraná (Femipa), em 2005, os 63 hospitais filantrópicos ligados à entidade tiveram dívidas superiores a R$ 200 milhões. No Paraná, mais de 100 hospitais fecharam em uma década ou estão sob intervenção, como é o caso da Santa Casa de Paranaguá, a mais antiga do Estado.

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