Curitiba Os hospitais-escola terão que passar por uma cerfificação junto ao Ministério da Saúde se quiserem receber a verba federal através de um novo modelo que o governo está implantado, o chamado ''financiamento global''. Se agora o Sistema Único de Sa© úde (SUS) paga os hospitais (não só os universitários) através de uma tabela de procedimentos defasada, com a mudança, o repasse mensal será fixo, respeitando uma previsão orçamentária. Essa reestruturação foi o tema da palestra que o presidente da Associação Brasileira dos Hospitais Universitários e de Ensino (Abrahue), Amancio de Carvalho, ministrou, ontem, no Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O HC passa pela certificação esta semana.
Tanto Amancio de Carvalho, quanto o diretor-geral do HC, Giovanni Loddo, apostam no contrato global como uma forma de amenizar a crise financeira dos hospitais-escola. Os HUs ligados às universidades federais devem aproximadamente R$ 380 milhões. O HC de Curitiba tem um déficit de R$ 9 milhões, sendo a metade da dívida contraída no ano passado. ''Nós sairemos da lógica da tabela e passaremos para um financiamento global'', explica Carvalho, que é diretor do HU da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O HC de Curitiba calcula seus custos (fora despesas com funcionários) em R$ 6 milhões por mês. É a verba que pretende receber quando o novo modelo estiver funcionando efetivamente. Pela previsão de Loddo, isso deve acontecer em dezembro.
Mas garantir dinheiro para cobrir todas as despesas não é tão simples. Como as prefeituras são as gerenciadoras da verba do SUS, é com os municípios que os hospitais negociarão uma fatia no bolo do orçamento para a saúde. O SUS repassa, por ano, R$ 600 milhões para os 45 hospitais-escola federais. Com a reestruturação, o governo anuncia uma verba suplementar de R$ 50 milhões para ser distribuída entre esses hospitais. Os 103 hospitais universitários estaduais e filantrópicos terão que dividir uma verba suplementar de R$ 70 milhões. ''Eles (hospitais-escola) terão que estabelecer um contrato de metas com o município, uma estimativa do que vão fazer e quanto isso vai custar'', ressalta Carvalho. Ele frisa a importância de cada um exercer bem o seu papel para o sucesso do acordo: enquanto o serviço básico de sa© úde fica por conta dos municípios, os hospitais priorizam o atendimento especializado.
Segundo Carvalho, a dívida crônica acumulada pelos hospitais-escola ligados às universidades federais deve-se principalmente a dois fatores. Após anos sem concurso público para reposição do quadro de pessoal, as instituições contrataram os funcionários via fundações de apoio e arcaram com essas despesas. Hoje, os terceirizados representam quase 40% do quadro de funcionários. O segundo fator diz respeito a pagamento: os hospitais não recebem por todos os procedimentos realizados.

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