Hospitais enfrentam período de sufoco
Silvana Leão
De Londrina
O fechamento do pronto-socorro do Hospital Evangélico (HE) de Londrina para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), no último final de semana, já refletiu no movimento dos outros hospitais da cidade. Só na Santa Casa, o aumento de pacientes no domingo, no setor de urgência e emergência, foi em torno de 112%. No Hospital Universitário (HU) a maior demanda foi registrada ontem. Os 71 atendimentos feitos a partir da meia-noite de domingo, até as 10 horas, lotaram os corredores do pronto-socorro.
Nós já enfrentávamos frequentemente problemas de superlotação. É comum, por exemplo, termos 25 macas ocupadas no corredor. Mas só este mês chegamos, por duas vezes, a ter 45 macas ocupadas, além dos 36 leitos disponíveis no pronto-socorro. Daqui para a frente a tendência é que a situação piore, prevê o diretor-superintendente do HU, Claudio Camacho.
Segundo o médico, 75% dos pacientes internados no hospital são através do serviço de emergência. Londrina absorve muitos pacientes da região. Só no HU, 25% das pessoas internadas são de outros municípios. No pronto-socorro, este índice fica em torno de 15%. Camacho não esconde a preocupação com o fechamento de um pronto-socorro em Londrina. A situação vai caminhar para o caos, define.
Na Santa Casa, algumas medidas já foram tomadas no sentido de amenizar a situação, como orientar os pacientes com problemas menos graves para que procurem os postos de saúde; agilização do atendimento de maneira geral; e utilização dos leitos o menor tempo possível. O hospital também inaugurou, há poucos dias, o pronto-atendimento do Mater Dei, canalizando para lá os pacientes de convênios e particulares.
O superintendente do hospital, Fahd Haddad, informou ainda que todos os pacientes estão sendo orientados a só procurar o pronto-socorro em casos de extrema necessidade. Segundo ele, haverá uma reunião esta semana entre membros do Conselho Municipal de Saúde e Secretaria Municipal de Saúde em que serão repensados os cartazes e cartilha que orientam os usuários do SUS sobre como usar melhor os serviços de saúde. Uma nova tiragem deste material deverá ser distribuída entre a população.
Haddad disse também que será reivindicado junto à Secretaria de Saúde que intervenha no sentido de fazer com que o Hospital Evangélico disponibilize leitos credenciados ao SUS, funcionando como uma retaguarda para os que continuam atendendo casos de emergência. Existe o papel social do hospital que não pode ser esquecido, ressaltou.
Os hospitais da Zona Norte (HZN) e Zona Sul (HZS) também deverão ser orientados para diminuírem as cirurgias eletivas (programadas), para que sobrem mais leitos. Outra providência já tomada há algum tempo pela Santa Casa foi pedir à Secretaria de Estado seu recredenciamento ao sistema de urgência e emergência, que paga pelo menos 20% a mais pelos atendimentos efetuados. Hoje o hospital faz este tipo de atendimento sem receber a mais.
No HZS o movimento foi em torno de 20% a mais que o normal no último domingo, e ontem só os casos de emergência estavam sendo atendidos, por falta de clínico geral. O médico que estava de plantão passou mal e eu tive que vir para atender os casos mais graves, explicou o diretor-clínico Sidney Girotto, afirmando que várias providências já foram tomadas no sentido de conseguir mais vagas para internação, mas além de espaço faltam profissionais. Só contamos com um clínico geral e um pediatra de plantão, mesmo assim atendemos 48 mil pacientes este ano.
No dia 23 à noite, o HZS recebeu uma paciente com quadro de infarto agudo do miocárdio. A Central de Leitos foi acionada para tentar a transferência para uma das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) da cidade. Até a madrugada do dia 24, porém, Maria Lopes, de 71 anos, continuava no HZS, onde acabou falecendo.
A diretora do Conselho Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema, Vânia Brum, estava em reunião durante toda a tarde e não foi localizada pela Folha.
O vereador Tercílio Turini (PSDB), presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores, lembrou que vai aumentar muito o risco de vidas serem perdidas com o fechamento de um pronto-socorro. A capacidade dos hospitais é limitada, observou. Turini reconhece a defasagem dos preços da tabela do SUS, mas defende a busca de uma saída em conjunto com os outros hospitais, municípios, vereadores e até governo do Estado.
A assessoria de imprensa da prefeitura informou ontem que a lei municipal nº 8.012, sancionada pelo prefeito Antonio Belinati (PFL) na última quinta-feira, obrigando os hospitais credenciados pelo SUS a manterem atendimento de urgência e emergência, será publicada entrando automaticamente em vigor na edição de hoje do Diário Oficial do Município. Até ontem a direção do Hospital Evangélico não quis se manifestar sobre o assunto, alegando não ter conhecimento da lei.Desativação do pronto-socorro do Hospital Evangélico, no última final de semana, aumentou o movimento nos demais estabelecimentos
Dorico da SilvaCORREDOR CHEIOCorredor do Hospital Universitário ontem de manhã. Direção do estabelecimento não esconde a preocupação com o fechamento de um pronto-socorro, o do Hospital Evangélico, em Londrina: A situação vai caminhar para o caos, afirma o diretor-superintendente Claudio CamachoDorico da SilvaAviso no portão do Hospital da Zona Sul: movimento cerca de 20% acima do normal também no domingo





