Hospitais enfrentam dificuldades para reduzir cesarianas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de setembro de 1998
Osmani Costa 
Os hospitais da região de Londrina enfrentam dificuldades para cumprir a portaria do Ministério da Saúde que estabelece em no máximo 40% o número de cesarianas dentro do total de procedimentos relativos aos serviços de maternidade em cada estabelecimento. Esta medida, em vigor desde julho, faz parte de um programa do governo federal que pretende aumentar, até o ano 2000, para no mínimo 70% o número de partos normais; restando somente os outros 30% para a prática de cirurgias cesárias, que envolvem maior risco de vida para mães e bebês.
Cesar AugustoO que fazer?Representantes de hospitais estiveram reunidos ontem na 17ª Regional de Saúde: preocupação com prejuízoIsto significa, na prática, a tentativa de quase se inverter, na região de Londrina os números dos procedimentos hospitalares. Segundo dados da 17ª Regional da Secretaria Estadual de Saúde - que envolve Londrina e 18 municípios vizinhos - atualmente cerca de 60% dos partos são realizados através de cesarianas. Isto foi consequência direta da cultura implantada no Brasil nos últimos 20 anos, que dava conta de que a cesariana era a melhor forma de procedimento; o que não corresponde à verdade. Agora, é difícil revertermos esta situação de uma hora para outra, comenta a chefe da Regional de Saúde, a médica Djamedes Maria Garrido.
Foi exatamente para discutir estas dificuldades que a 17ª RS promoveu, na tarde de ontem, uma reunião com representantes de hospitais e com o secretário de Saúde de Cambé (13 km a oeste de Londrina), Antonio Freitas, que é também o presidente do Grupo de Saúde da Associação do Municípios do Médio Paranapanema (Amepar).
Freitas ressalta que antes da portaria federal não existia limite para o número de cesarianas a ser pagas pelo SUS mensalmente, em comparação ao número de partos naturais. Nos hospitais de Cambé, o número de cesárias está em torno de 70% dos nascimentos. Em Londrina, este número cai para pouco mais de 50%. No Brasil todo, a prática da cesariana fica em aproximadamente 45%. Mas, nas cidades menores, tem hospital que este índice chega a 100%, explica.
Djamedes Garrido afirma que não há como a Regional intermediar algum tipo de acerto entre o SUS e os hospitais que ultrapassarem o índice de 40% de cesarianas. A portaria é uma determinação que deve ser cumprida à risca. Passou disto, infelizmente o hospital ficará com o prejuízo. Isto faz parte da estratégia para a mudança da cultura e da prática da cesária, que no Paraná já vem sendo trabalhada há três anos. Os hospitais terão que se adequar a ela.


