Hospitais e municípios discordam sobre índice de ocupação de leitos
O secretário de Saúde, Silvio Fernandes, determinou ontem o recadastramento das vagas de UTI destinadas ao SUS em Londrina porque o índice de ocupação destes leitos estaria abaixo do previsto em lei. A direção dos hospitais discordou dos números.
De acordo com Fernandes, mesmo com as novas medidas tomadas ontem e com o cadastramento de 20 novos leitos (previsto para os próximos 60 dias), a cidade contaria com 79 leitos exclusivamente para o SUS e não com os 83 cadastrados atualmente. ''83 era um número fictício, não era de fato. Descobrimos pelo índice de ocupação, que era (em média) abaixo de 300 pacientes do SUS/mês. Com a nova determinação, teremos condições de atender 480 pacientes/mês'', calculou Fernandes, enquanto mostrava o ofício nº 027/2003, onde a Secretaria afirma que ''os hospitais filantrópicos (no caso, Evangélico e Santa Casa) devem destinar, no mínimo, 60% de sua capacidade total de leitos para o SUS''.
Em outro trecho do ofício, o secretário destaca que, ''somados esses leitos aos do Hospital Universitário (que é 100% gratuito), teremos 79 leitos/SUS em Londrina. O documento deixa claro que as vagas do SUS podem ser ocupadas por pacientes particulares (ou vice-versa) caso as condições da vítima impliquem risco de morte. ''Isso já acontece hoje, mas pedimos que se transforme em exceção. Queremos que a destinação de leitos para o SUS seja próxima dos 100%'', salientou.
O diretor do Hospital Evangélico, Antonio Carlos Gonçalves Ribeiro, disse ontem que os números apontados pela secretaria seriam baseados em diárias pagas e não nos ''serviços represados e não remunerados''. ''Pelos dados de 2002 que temos, a UTI adulto sempre atendeu acima da capacidade total. ''Em junho último, a ocupação chegou a 113,7%. Das 413 diárias, 62% eram do SUS. Se incluirmos a UTI pediátrica (101 pacientes), temos 71% de ocupação pelo SUS. Os dados são irreais'', afirmou Ribeiro.
O mesmo argumento foi apresentado pelo diretor da Santa Casa, Fahad Haddad, que destacou inclusive um saldo negativo nas contas da instituição. ''Temos 776 diárias não pagas que representam R$ 201 mil. Hoje, temos 75% dos 32 leitos ocupados por pacientes do SUS, mas se pegarmos somente os 24 cadastrados (16 adultos e oito pediátricos), a ocupação sobe para 97%'', disse. (Emerson Dias)





