Hospitais do Paraná desativaram 5.000 leitos nos últimos dois anos
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domingo, 12 de janeiro de 1997
Da Sucursal 
Nos últimos dois anos, mais de 50 hospitais fecharam, desativaram setores ou deixaram de atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná. Cerca de 5.000 leitos deixaram de ser oferecidos para internação de pacientes do SUS nesse período. A informação é da Federação dos Hospitais do Paraná, que esta semana tenta uma audiência com o novo ministro da Saúde, Carlos de Albuquerque, para expor a situação do setor e reivindicar reajuste nos preços dos serviços pagos pelo SUS, congelados desde a adoção do Plano Real, em julho de 1994.
O presidente da federação, José Schiavon, prevê que o sistema pode entrar em colapso no início deste ano, caso o governo federal não cumpra a promessa, feita pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, de fazer de 1997 o ano da saúde. Até agora, o governo continua falando uma coisa e fazendo outra, diz Schiavon, lembrando que o orçamento federal para a Saúde foi reduzido de R$ 20 bilhões, em 1996, para R$ 14 bilhões em 1997.
O Ministério da Saúde continua pagando R$ 2,04 por uma consulta médica e R$ 3,23 por uma diária de internação. O último abono de 25% sobre a tabela, concedido em maio de 1996, não foi pago até hoje, nem incorporado à tabela do SUS. Semana passada o ministério anunciou que finalmente pretende pagar R$ 1 bilhão que deve por conta deste abono, mas o governo ainda deve R$ 650 milhões aos hospitais, referentes aos atendimentos prestados em novembro.
Com os sucessivos cortes nas verbas do setor e os constantes atrasos nos pagamentos, os hospitais têm restringido cada vez mais o atendimento aos pacientes do sistema público de saúde. A queda na qualidade dos serviços também é inevitável já que, segundo Schiavon, nos dois anos em que a tabela do SUS está congelada, os custos com folha de pagamento de pessoal e insumos cresceram quase 100%. Não queremos que tragédias como a de Caruaru e Santa Genoveva aconteçam no Paraná, afirma o dirigente.
Os hospitais estudam a possibilidade de entrar com medidas judiciais preventivas para evitar serem responsabilizados pela falta de condições de atendimento adequado provocada pela crise do SUS. Eles reclamam que não podem ser culpados pela queda na qualidade dos serviços, e exigem que o governo defina uma política clara de financiamento para o setor. O governo faz propaganda enganosa, incita à busca pelos serviços, mas impõe limites a eles, alimentando o falso conceito de que as unidades de saúde são omissas e perdulárias, diz o presidente da federação.
Schiavon defende a cobrança pelos atendimentos prestados a pessoas com renda superior a 20 salários mínimos (R$ 2.240,00), como alternativa para financiamento do serviço gratuito para quem não pode pagar. O governo precisa definir se tem condições ou não de pagar pelo serviço, ou então acabar com essa hipocrisia da gratuidade para todos, que não é bancada nem em países ricos como Estados Unidos e Inglaterra, afirma o dirigente, lembrando que os norte-americanos gastam anualmente US$ 1 trilhão em saúde, contra US$ 30 bilhões gastos pelos brasileiros.


