Hospitais deixam de fazer hemodiálise
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terça-feira, 29 de dezembro de 1998
Áureo Nogueira 
O Hospital Evangélico de Londrina vai fechar a Unidade de Hemodiálise para os renais crônicos. Serão mantidos apenas os serviços para os pacientes internados, transplantados ou que perderam as funções renais. Os 36 renais crônicos atendidos pelo hospital e que necessitam de três sessões semanais de hemodiálise estão sendo encaminhados para a Nefroclínica e para o Instituto do Rim.
A direção do Evangélico justifica a decisão argumentando que o hospital não tem condições financeiras para fazer os investimentos necessários e atender a Portaria 2.042/96, do Ministério da Saúde, que exige readequação de máquinas e equipamentos, estrutura física, exames obrigatórios, qualificação de pessoal e controle da qualidade da água e dos concentrados usados na hemodiálise.
Este é o terceiro grande hospital da cidade a deixar de atender os renais crônicos. Em setembro, o Hospital Universitário suspendeu a oferta do serviço para promover a readequação do setor. A previsão do diretor-superintendente, Cláudio Camacho, era de que a hemodiálise seria reaberta, com capacidade ampliada, em fevereiro. Mas as previsões mais otimistas adiam a reinauguração para o final do próximo ano.
Em novembro foi a vez da Santa Casa. Segundo o superintendente Fahad Haddad, os pacientes serão novamente atendidos no hospital em meados do ano que vem. Nossos pacientes foram transferidos para a Nefroclínica até que façamos as readequações. Apesar das dificuldades financeiras, esperamos reabrir o setor no prazo de aproximadamente 180 dias, explica Haddad.
O secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, assegura, entretanto, que o fechamento da hemodiálise do HE não vai trazer prejuízos para os pacientes de Londrina e região. De acordo com Bedrossian, o fechamento da hemodiálise dos grandes hospitais está sendo compensado pela ampliação da oferta da Nefroclínica e do Instituto do Rim e por um controle mais rigoroso da aceitação de pacientes só da região.
De acordo com os diretores do Instituto do Rim, Altair Mocelin, e da Nefroclínica, Getúlio Amaral, a absorção dos pacientes do HU, Santa Casa e Evangélico está sendo possível porque já se adequaram às exigências do Ministério da Saúde e ampliaram a oferta do serviço.
Fizemos investimentos que possibilitam abrir outro turno de atendimento e aumentar significativamente a oferta. Entretanto, é necessário que o governo cumpra o compromisso assumido durante a divulgação da portaria de readequação e conceda os dois reajustes de 15% cada um prometidos, destaca Getúlio Amaral.
Para o presidente da Associação dos Renais Crônicos de Londrina (Arenalon), Jurandir Garcia, é necessário que o governo aumente os recursos destinados à saúde. Se não houver readequação também na remuneração, as clínicas, assim como os hospitais, não terão condições de manter os serviços.


