Hospitais deixam de atender pelo SUS
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 1999
Anna Camanducaia 
O Sistema Único de Saúde (SUS) está perdendo espaço dentro de hospitais e clínicas de Curitiba. Segundo o presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde no Paraná (Fehospar), José Francisco Schiavon, dos 46 hospitais que existem na cidade, pelo menos 15 já não atendem mais pelo sistema. Outros têm diminuído as vagas para o sistema. O motivo são os baixos recursos repassados pelo Ministério da Saúde.
Muitos profissionais também já não têm interesse em atender pelo SUS. Segundo o secretário municipal de Saúde, Luciano Ducci, o sistema é deficiente nas áreas de otorrinolaringologia, neurologia infantil, endocrinologia e oftalmologia, justamente por falta de profissionais credenciados na cidade.
O Hospital das Nações e o Nossa Senhora do Pilar não recebem mais os pacientes do sistema há cerca de quatro anos. O Hospital São Carlos é o mais recente a cortar vagas do SUS. Em dezembro, com a mudança societária do hospital, houve uma redução de 85% no número de leitos para o sistema. A queda se deu com o início da reforma do hospital. O São Carlos quer deixar de atender apenas clínica médica e cirúrgica para ser um hospital geral.
Antes, o São Carlos tinha 105 leitos - 20 deles reservados para os pacientes do SUS. Há um mês, quando começaram as obras, o hospital passou a ter 40 leitos, sendo apenas três para o sistema. Agora, vamos dar preferência para quem tem convênio, afirma o sócio-gerente do Hospital São Carlos, o advogado Cícero de Oliveira.Não adianta fazer sacrifício para abrir leito para o SUS porque a gente leva prejuízo.
Depois da reforma - que deve durar pelo menos seis meses -, o hospital ainda não sabe se abrirá mais vagas para o sistema. Se a tabela não mudar, não vamos aumentar o número de leitos. O custo de uma diária no hospital é de R$ 30,00, mas o SUS paga apenas R$ 4,00, diz Oliveira. O SUS, infelizmente, vai cada vez mais ajudar a sucatear os hospitais.
Oliveira, que faz consultoria para hospitais e é diretor do Sindicato dos Hospitais de São Paulo, diz que a situação está ruim em todo o país. Os hospitais particulares não aguentam mais, afirma. Em São Paulo, os particulares não atendem mais pelo SUS. No interior, só as Santas Casas.
Normalidade - O Hospital Cajuru está mantendo o mesmo número de atendimentos pelo SUS e não tem planos de cortar vagas. Mesmo assim, o diretor administrativo do Cajuru, Lourival Scheidweiler, diz que a diminuição no atendimento ao SUS é uma tendência necessária para a sobrevivência dos hospitais. Não vai haver condições de atender essa grande quantidade do sistema. Não dá para pedir dinheiro emprestado aos bancos todos os meses para cobrir as dívidas.
Segundo Scheidweiler, a crise econômica que o país enfrenta deve definir o futuro do SUS. O sistema vai manter as tabelas, mas os medicamentos e materiais hospitalares estão subindo, comenta.
Hoje, 90% das pessoas que chegam ao Cajuru são atendidas pelo sistema. O balanço mensal do SUS no hospital é de 9.000 atendimentos no pronto-socorro, 1.000 internamentos e 600 cirurgias. O prejuízo mensal do hospital é de 15%.


