O alerta é do diretor do Hospital Evangélico, Antônio Carlos Ribeiro: ‘‘Londrina poderá viver uma tragédia como as que aconteceram em Fortaleza e Caruaru’’. A lembrança às tragédias ocorridas este ano em uma materninade de Fortaleza, onde morreram 51 bebês, e em uma clínica de hemodiálise de Caruaru, Pernambuco, onde morreram mais de 50 pessoas, foi feita em alusão à ‘‘situação caótica’’ pela qual passam os hospitais filantrópicos e particulares da região.
Com o pagamento do SUS (Sistema Único de Saúde) atrasado este mês e sem receber desde maio um repasse de 25%, aprovado em julho do ano passado pelo Governo Federal, os hospitais estão sem dinheiro até para pagar o salário de novembro e o 13º dos funcionários.
A situação foi exposta ontem pelo presidente do Sinheslor (Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviço de Saúde de Londrina e Região), Fahd Haddad, que também é diretor-superintendente da Santa Casa de Londrina, ontem de manhã, durante entrevista coletiva na sede do sindicato.
‘‘Nós queremos dar um grito de alerta para a situação da saúde na região de Londrina’’, disse Haddad. ‘‘E queremos fazer um apelo à população, às autoridades e até a Deus para que nos ajudem a resolver esta crise.’’ Segundo o presidente do Sinheslor, a defasagem no pagamento do SUS, desde 1990, é de 350%. Por isso, as instituições estão sem dinheiro até para comprar remédios ou fazer a manutenção em equipamentos. ‘‘Vai chegar o momento em que vamos entrar em um colapso’’, avisa Haddad.
Antônio Carlos Ribeiro explicou que este é o segundo mês consecutivo em que o SUS atrasa o repasse da verba aos hospitais. O diretor do Evangélico comentou que os fornecedores anunciaram que, a partir de 97, só venderão aos hospitais de Londrina mediante pagamento à vista. ‘‘Nossa dívida com os fornecedores já está muito grande.’’
Na opinião de Ribeiro, para facilitar a situação, o governo deveria reajustar em, no mínimo, 15 vezes a tabela do SUS. Hoje, segundo ele, um hospital recebe R$ 0,49 por um atendimento em Pronto Socorro, que geralmente utiliza soro e medicamentos. Por uma permanência de 24 horas no Pronto Socorro, o pagamento do SUS é R$ 1,81 e, por diária de internação, R$ 3,50.
Haddad diz que os hospitais filantrópicos e particulares da região não pretendem se descredenciar do SUS, mas chamar a atenção das autoridades para o risco de cair a qualidade do atendimento hospitalar. Ele lembra que 75% do atendimento do SUS em Londrina é feito nos hospitais filantrópicos e particulares. ‘‘Pode acontecer uma calamidade por falta de recursos financeiros.’’
Além de Haddad e Ribeiro, participaram da entrevista coletiva representantes de hospitais associados ao Sinheslor: Paulo Zaparolli, diretor do Hospital Santa Terezinha, de Ibiporã; Lafaiette Guimarães, diretor do Hospital Ortopédico, de Londrina; Isabel Aparecida da Silva, diretora da Santa Casa de Cambé; Décio Wey Berti, diretor do HE; Gislaine e Nuno Balalai, do Instituto do Câncer de Londrina.
A Autarquia do Serviço Municipal de Saúde já depositou ontem um adiantamento de 50% da fatura hospitalar das entidades que atendem pelo SUS na Cidade. A informação é do diretor-executivo da autarquia, Luis Carlos Sugmyama. Ele explicou que é o segundo mês que acontece isso porque o Fundo Nacional de Saúde atrasou o repasse.
Sugmyama lembrou que, antes da implantação da gestão semi-plena em Londrina, os hospitais demoravam de 60 a 90 dias para receber. ‘‘Agora nós repassamos no quinto dia útil do mês seguinte à prestação do serviço.’’
Ele informou que o dinheiro usado para pagar o adiantamento foi retirado do Fundo de Reserva da Prefeitura. Sugmyama não soube informar quando chegará a verba do Governo Federal.

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