A crise do Hospital de Clínicas (HC), que nos últimos três dias reduziu a 10% seus atendimentos emergenciais, já está sendo sentida por outros hospitais de Curitiba. A procura pela UTI pediátrica do Hospital Evangélico praticamente dobrou nesta semana, e os leitos disponíveis não são mais suficientes para atender à demanda. O supervisor administrativo do Hospital Cajuru, Mário de Freitas, afirmou que ‘‘esta é a pior situação vivida pelos hospitais nos últimos tempos.’’
Ele explicou que os dois grandes pronto-socorros de Curitiba (Cajuru e Evangélico) não conseguem mais atender à cidade. O Cajuru realiza diariamente mais de 300 atendimentos emergenciais. ‘‘Ainda não começamos a receber pacientes do HC que necessitem de internação, mas quando isso acontecer não poderemos atendê-los’’, disse Freitas.
O Hospital Cajuru tem 251 leitos e 90% dos atendimentos são pagos através do SUS. ‘‘Estamos tentando sobreviver, mas todos os locais que dependem do SUS, atualmente, estão passando por graves dificuldades financeiras.’’
O diretor clínico do Evangélico, José Antônio Mainguê, explicou que o hospital já estava trabalhando com o limite máximo de pacientes. Ele disse que há uma grande preocupação em relação às consequências da crise do HC. ‘‘Estamos tendo um aumento gradativo de procura, principalmente na maternidade.’’
Uma enfermeira da UTI pediátrica informou que todos os casos graves, como recém-nascidos prematuros, estão sendo encaminhados para o Evangélico. A UTI pediátrica, que comporta 23 recém-nascidos, está lotada. Além disso, a média semanal de 75 gestantes dobrou.
O Hospital Evangélico ainda não recebeu os valores relativos ao aumento de 25% nos pagamentos do SUS, desde maio do ano passado. ‘‘O que nos salva são os valores recebidos pelos atendimentos prestados a 30% de nossos pacientes, credenciados a algum plano de saúde.’’
O diretor do Centro de Assistência à Saúde da Secretaria Municipal da Saúde, Romeu Bertol, contou que a prefeitura armou um esquema de reforço para atender aos pacientes do HC. Curitiba conta com 104 Unidades Municipais de Saúde, que atendem em média 130 mil pacientes por mês. A expectativa é de que este número aumente nos próximos dias.

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