Hospitais de Cambé poderão absorver demanda da região
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quinta-feira, 18 de junho de 1998
Lúcio Horta 
Descentralizar a oferta do serviço público de saúde na região, colocando Cambé como opção de atendimento aos pacientes em hospitais terciários. A idéia tem sido debatida pelas prefeituras de todas as cidades atendidas pela 17ª Regional de Saúde como parte do processo de municipalização da saúde.
O secretário de Saúde de Cambé, Antônio Silva Freitas, estima que a partir da implantação desse projeto a elevação da qualidade do atendimento médico poderá ser rápida e brutal. Outra consequência: Londrina veria desafogada parte da demanda crescente que hoje chega à Cidade em busca dos hospitais terciários.
Freitas explica que atualmente o atendimento médico na região está todo voltado para Londrina, a única cidade que conta com hospitais de nível terciário. Ou seja, unidades com capacidade para intervenções mais complexas e disponibilidade de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) infantil e adulta. Por isso, ele explica, qualquer caso mais complicado que surge em uma das 18 cidades da região é encaminhado necessariamente para Londrina - nos hospitais Evangélico, Universitário e Santa Casa -, contribuindo ainda mais para a superlotação dos hospitais.
Arquivo FolhaAlertaO secretário Freitas: Ou a região caminha para essa transformação ou será sempre um caos em LondrinaPela nova proposta, seriam criadas microrregiões, com aproximadamente cinco cidades cada uma. E cada microrregião teria uma cidade-sede devidamente aparelhada para receber pacientes em casos um pouco mais complexos, como por exemplo atendimentos de nível secundário. Ou seja, o paciente não precisaria ser deslocado até Londrina para ser tratado e ficaria mais próximo de sua casa. Isso diminuiria os custos e aumentaria a qualidade do atendimento.
Já o paciente com necessidade de atendimento mais sofisticado poderá ser encaminhado para Cambé - que também passaria a oferecer atendimentos em hospitais terciários - antes de chegar a Londrina. Hoje, informa o secretário, a cidade tem três hospitais, todos secundários e sem UTIs. A gente acha que Cambé tem condições de ser um filtro, antes do paciente chegar a Londrina. Com pouco investimento, faríamos essa transformação, acredita Freitas.
O secretário de Saúde aposta também na reativação do Hospital Londrina, de Cambé, fechado no ano passado. O hospital seria administrado por um consórcio de municípios da região e receberia grande parte da demanda que hoje é encaminhada para o Hospital Universitário (HU) - que, por sua vez, passaria a ter mais condições de investir em educação, já que se trata de um hospital-escola. Ou a região caminha para essa transformação ou vai ser sempre um caos em Londrina, atesta.
Antonio Freitas observa que a idéia surgiu a partir das discussões em torno da municipalização da saúde, que tem como pressuposto justamente a descentralização do atendimento médico. Para isso, cada município da região tem produzido um Plano Pactuado e Integrado, ou PPI, com levantamento detalhado sobre a demanda e também sobre o tipo de atendimento poderá ser ofertado à população em cada cidade.
Para que o projeto seja viabilizado, diz o secretário, será necessária não só uma campanha de esclarecimento público para informar à população sobre as mudanças como também uma redistribuição dos recursos destinados hoje à saúde na região, tanto por parte do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto do governo do Estado. Também vamos procurar viabilizar dinheiro novo, diz Freitas. Ele informa ainda que o projeto depende de parecer do secretário de Saúde do Estado, Armando Raggio. No dia 2 de julho, ele diz, o secretário estará em Cambé e deverá se pronunciar oficialmente sobre o assunto.


