Giovani Ferreira
De Curitiba
A partir da próxima semana parte dos hospitais do Estado estará cancelando o atendimento aos conveniados do Instituto de Previdência do Estado (IPE). Assim como fizeram os médicos anestesiologistas, os hospitais vão deixar de atender os servidores estaduais por falta de pagamento do governo, que não repassa os recursos ao IPE há pelo menos sete meses. Hoje a dívida do Estado com os hospitais chega a R$ 30 milhões.
José Francisco Schiavon, presidente da Federação dos Hospitais do Estado do Paraná (Fehospar), diz que as casas hospitalares não têm mais condições de financiar a saúde dos funcionários do Estado. Schiavon explica que um dos principais problemas vem sendo a frequente alta dos medicamentos, que está comprometendo ainda mais a estrutura financeira dos hospitais.
Em todo o Estado existem 18 sindicatos filiados à Fehospar. O cancelamento não deve acontecer de modo simultâneo, uma vez que as diferentes regionais têm autônomia para decidir sobre o assunto. Os hospitais de Maringá, por exemplo, cancelam o atendimento a partir desta segunda-feira. Em Curitiba o atendimento deve ser suspenso no dia 1º de agosto. No município de Londrina, deixam de atender no dia 7 de agosto.
O Estado deve por serviços prestados pelo IPE a mais de 200 estabelecimentos de saúde, como clínicas, hospitais e laboratórios. Se o cancelamento dos trabalhos acontecer em todas as regiões, aproximadamente 460 mil pessoas, entre servidores e dependentes, devem ficar sem o amparo do IPE para o tratamento médico-hospitalar. No momento a maioria dos hospitais está com o atendimento limitado aos usuários do Instituto, recebendo somente casos de urgência e emergência.
A assessoria do Palácio Iguaçu informa que o principal empecilho na liberação dos recursos estaria sendo as liminares que estão na Justiça contra a Paranaprevidência. Essas liminares, segundo o governo, bloquearam o Fundo de Saúde do Estado, responsável pelo custeio dos serviços prestados aos usuários do IPE. A Fehospar contesta esse argumento, entendendo que a dívida atrasada é de responsabilidade do Instituto, e não da Paranaprevidência.
A reportagem da Folha procurou o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, para saber como o governo pretende resolver esse impasse, mas ele não foi encontrado e nem respondeu aos telefonemas.

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