Semana passada, a agência fiscalizadora de saúde e segurança da Grã-Bretanha (HSE, na sigla em inglês) ameaçou processar um complexo hospitalar se não fossem tomadas medidas para evitar o estresse entre seus mais de mil funcionários. A decisão foi anunciada no mesmo dia em que uma nova pesquisa soou um alerta sobre os riscos à saúde acarretados pelo estresse no ambiente de trabalho.
Em Londrina, nenhum hospital passou por algo do tipo, apesar de serem poucas as iniciativas de combate ao estresse junto a médicos, enfermeiros e auxiliares, enquanto crescem os pedidos de folga por questões de saúde associadas à tensão. No Hospital Anísio Figueiredo (zona norte), o último mês foi dos mais conturbados em uma única noite, quatro pacientes morreram à espera de vagas em UTIs. Como explica a coordenadora de enfermagem, Maria Aparecida de Freitas, o jeito foi tentar motivar os funcionários com gestos simples, mas com significado. ''Desde cartinhas agradecendo o empenho da equipe a festinhas em datas comemorativas, para integrar as famílias: tudo isso tem sido válido para aliviar o estresse que a superlotação nos tem causado'', afirmou.
No Hospital Universitário (HU), os cada vez mais numerosos pedidos de consultas partidos da UTI levaram a psicóloga Ana Lilian Parrelli a aplicar um questionário que verificasse as necessidades dos atendidos. ''Como o resultado nem sempre era a vida, os funcionários se sentiam impotentes e deixavam que isso influenciasse o trabalho'', explica. Com base nisso, e auxiliado por estagiários de Educação Física, o hospital passou a contar com grupos de alongamento, massagem e relaxamento três vezes por semana. ''Muitos chegam aqui com nódulos nas pernas, ou com a musculatura tensa'', disse a estudante Karen Hara, 23, que aplica as massagens. A iniciativa deve se tornar um projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 2004.

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