Hospitais ameaçar parar atendimento
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quinta-feira, 02 de maio de 2002
Marta Medeiros<BR>Equipe da Folha 
Maringá - Representantes de três dos principais hospitais de Maringá ameaçaram ontem parar o atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) por causa do atraso no pagamento feito pela Prefeitura de Maringá. Os hospitais alegam que no mês de março, a prefeitura deixou de repassar 74,16% do valor devido, ficando para trás mais de R$ 630 mil. O representante jurídico dos hospitais, advogado Gilberto Baumann de Lima, ameaçou ainda com uma ação civil pública contra o prefeito José Cláudio Pereira Neto (PT) e o secretário municipal de Saúde, Paulo Roberto Donadio, por desvio de finalidade.
Segundo Lima, por causa dos atrasos verificados desde julho do ano passado, os hospitais estão sendo obrigados a recorrer aos bancos. O advogado informou que foram mais de R$ 127 mil de juros no período pagos aos bancos pelos hospitais Psiquiátrico de Maringá, Santa Rita e Santa Casa. Lima disse que o sistema imprevisível de pagamento feito atualmente pelo município está inviabilizando o atendimento. Ele disse também que o objetivo da denúncia pública é chamar a atenção da comunidade.
Juntos, os três hospitais oferecem 496 leitos, sendo que deste total, 364 são do Hospital Psquiátrico, cujo atendimento é de quase 100% ao SUS. No Hospital Santa Rita, o SUS representa em média 45% de ocupação e na Santa Casa o índice é de 40% dos leitos.
Segundo a diretora da Secretaria Municipal de Saúde, Regina Della Torre, o atraso ocorre porque a gestão de recursos do SUS, transformada em plena desde 1997, está defasada para o atendimento feito em Maringá. Regina afirmou que a prefeitura gasta em torno de R$ 2,7 milhões por mês com o SUS e recebe do órgão cerca de R$ 2,3 milhões. Conforme Regina, o atraso nos pagamentos foi uma forma que o município encontrou para colocar em dia a defasagem do SUS e as dívidas acumuladas pela gestão anterior.


