A alternativa de acabar com os plantões diários nos hospitais da Zona Norte (HZN) e Zona Sul (HZS) em Londrina, principal preocupação das entidades que convocaram o Fórum de ontem na Câmara, ainda não foi descartada pelo Conselho Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar). Segundo Vânia Brum, chefe do Cismepar, o déficit mensal dos dois hospitais hoje é de R$ 70 mil a R$ 75 mil mensais. Até agora, o governo do Estado acenou com a possibilidade de repassar apenas R$ 50 mil para cobrir o rombo.
Vânia Brum afirma que, para adequar o orçamento à crise financeira, houve necessidade de alterar os plantões para diminuir a despesa. ‘‘Antes, cada hospital tinha durante 24 horas dois clínicos-gerais e um pediatra. A partir deste mês, os dois clínicos-gerais permanecem no plantão somente até a meia-noite. Depois desse horário, ficam apenas um clínico e um pediatra em cada hospital. Isso diminuiu 12 horas de plantão por noite’’.
Com apenas um clínico durante a noite, um dos problemas é que, se chega uma urgência no hospital, os casos menos graves deixam de ser atendidos. Brum disse que o novo esquema será testado para ver se é possível manter o hospital com os recursos financeiros disponíveis. Caso contrário, o fim dos plantões diários poderá ser uma das saídas. ‘‘Vamos fazer essa avaliação para saber se não precisaremos demitir’’, disse. ‘‘Isso é ruim porque você deixa de dar uma assistência tão boa’’.
A chefe do Cismepar comentou que o déficit de R$ 120 mil levantado num primeiro momento pelo órgão levava em conta a estruturação do HZN para atender um maior número de casos - como por exemplo, a implantação do plantão cardiológico a distância e realização de novos tipos de cirurgias de urgência. Estes projetos exigiriam a contratação de funcionários e adequação de espaço físico.
Vânia Brum comentou que o número de atendimentos dos hospitais tem aumentado do ano passado para cá. Em março do ano passado, por exemplo, foram 287 internações no HZN contra 428 deste ano. Em fevereiro, 205 do ano passado contra 361 deste ano. E janeiro, 156 contra 320. No HZS, foi observado a mesma tendência: em janeiro do ano passado foram 98 internações contra 203 deste ano; em fevereiro, 121 contra 202; e março, 147 contra 237.
No pronto-socorro os números também são expressivos. Somente nos primeiros meses deste ano, o HZN já atendeu no setor 21.997 pacientes; no HZS, o número foi de 12.827. Nas cirurgias, o HZN realizou de maio de 1998 a março de 1999 1.674 procedimentos, com uma média de 152 cirurgias por mês. Isso nas especialidades de oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia, cirurgia plástica corretiva, proctologia, urologia, cirurgia vascular, ginecológica, geral e infantil.
No HZS, explicou Brum, ocorrem menos cirurgias em função do menor número de leitos (30 contra 63). ‘‘Ainda assim a gente melhorou as condições do hospital e, de janeiro para cá, temos feito cirurgias principalmente na área ginecológica. Até seis por dia’’, comentou.
Quanto ao número de funcionários, o HZN mantém 145 contratados pelo Estado e 68 pelo Cismepar. Pelo menos quatro servidores - um nutricionista, dois bioquímicos e um auxiliar de enfermagem - tiveram que ser demitidos recentemente. No HZS, são 118 do Estado e 34 do Cismepar - saíram dois auxiliares de laboratório.
Vânia Brum observa que os dois hospitais têm tido um importante papel para absorver parte da demanda de saúde não só em Londrina como em toda região. Ela avalia que a diminuição no atendimento compromete todo o sistema. ‘‘Eles deveriam ser mais valorizados’’.

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